Empresa australiana mostra dinheiro de plástico; Brasil vai testar no ano 2000
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 04 (AE) - A empresa australiana Securency PTY Ltd, detentora exclusiva da tecnologia de fabricação do dinheiro de plástico, confirmou hoje que o Brasil emitirá 250 milhões dessas cédulas, no valor de R$ 10,00, em comemoração aos 500 anos de Descobrimento. Cerca de 125 milhões de notas deverão ser lançados, como teste, em 22 de abril do próximo ano, e o restante em dois anos. O País gastará R$ 7 milhões na emissão, 58,8% mais do que gastaria na impressão da cédula de papel. A Securency, joint-venture formada em 1996 pela UCB Films, divisão da multi Belga UCB, e o Banco Central Australiano, apresentou hoje mostras de cédulas plásticas de outros países em evento no Hotel Mofarrej Sheraton, em São Paulo.
Segundo informações da empresa, o Banco Central brasileiro paga R$ 74,88 o milheiro do papel moeda, enquanto que o das notas de plástico custa R$ 118,00. Apesar do preço mais alto, a Securency argumenta que a durabilidade do seu produto é quatro vezes maior. O BC calcula que a economia só com esta emissão inicial será de R$ 46 milhões ao longo da vida útil da nota, que é em média de 4,7 anos. Há dois anos o banco vem realizando testes de confecção das novas cédulas na Casa da Moeda do município de Santa Cruz (RJ) e estudando sua aceitação pela sociedade. O Brasil será o primeiro país da América do Sul a ter dinheiro de plástico.
A impressão da notas é feita sobre um polímero (filme transparente em polipropileno especial), denominado Guardian. De acordo com o representante da Securency no Brasil, Sérgio Detoie
os equipamentos são os mesmos da impressão do papel moeda, sendo necessário apenas o acréscimo de uma fase. Os equipamentos de distribuição física do dinheiro (como os caixas eletrônicos) também poderão ser os mesmos. O polímero será importado da Austrália, único país onde a Securency produz o Guardian. Não há projetos de curto prazo para a produção do material no Brasil.
As notas plásticas são muito semelhantes às de papel. A diferença principal é na textura mais lisa e no som que emite, quando manipulada. Além da vida útil maior, uma das vantagens apontadas pelos seus fabricantes é a dificuldade de falsificação. As notas - ressaltam - possuem uma "janela" transparente, que impede a reprodução por copiadoras. Além disso
o plástico possibilita a persistência da gravação em relevo.
O gerente de desenvolvimento da Securency para América Latina, Geoffrey Jacobs, alertou que todos os mecanismos dificultam a falsificação, mas não a impede completamente. "A idéia é estar um passo a frente do falsificador", afirmou.
Nova Zelândia, Brunei, Papua Nova Guiné, Tailândia, Taiwan, Singapura, Samoa, Malásia, Sri Lanka, Kuwait e Indonésia também estão adotando a tecnologia. A Romênia já iniciou os testes e será o primeiro país europeu a ter dinheiro plástico. No mundo todo, segundo a Securency, há 1 milhão cédulas de polímero em circulação.


