Empresa argentina explorará a maior reserva de gás do Peru
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 17 (AE-AP) - Um grupo comandado pela empresa argentina Pluspetrol venceu a licitação para a exploração da maior reserva de gás do Peru, a reserva de Camisea, situada próxima à cidade de Cuzco.
Calcula-se que a Pluspetrol realizará um investimento inicial de US$ 400 milhões até o ano 2003, que basicamente se destinará à perfuração de quatro poços e à reabertura de outros três.
O compromisso de investimento total, ao longo da concessão que durará 40 anos, é de US$ 1,6 bilhão. O grupo liderado pela Pluspetrol venceu seu único concorrente licitação - a empresa francesa Totalfina-ELF - ao oferecer 37,2% de royalties ao Estado peruano, que na licitação pedia um mínimo de 10%.
A disputa não foi fácil, já que a Totalfina-Elf ofereceu 35 5%. No grupo da Pluspetro, que possui 40% da ações, estão a empresa norte-americana Hunt Oil Company, que também possui 40%, e a coreana SK Corporation, com 20%.
Camisea possui reservas comprovadas de 12 trilhões de pés cúbicos de gás e 600 milhões de barris de líquidos. Analistas consideram que o projeto é de dimensões superiores ao que pode ser consumido pelo pequeno mercado peruano.
Segundo o vice-presidente da Pluspetrol, Alberto Moons, por esse motivo planeja-se enviar gás ao Brasil e posteriormente ao resto dos países do Cone Sul. Moons declarou à imprensa que "o Cone Sul está sendo integrado energeticamente, e nesse processo Camisea terá um papel importante". A Pluspetrol é uma das poucas empresas petrolíferas do país que ainda permanecem sob controle de capitais argentinos.
Analistas consideram que o governo peruano espera que a exploração de Camisea permita a recuperação dos investidores internacionais no país. O presidente Alberto Fujimori tem especial interesse no sucesso desse projeto, já que no dia 9 de abril candidata-se para seu terceiro mandato presidencial.
Esta é a segunda tentativa de levar adiante o projeto de Camisea. Em 1996, um grupo formado pela Shell e a Mobil assinaram um contrato onde prometiam investir US$ 3 bilhões.
Mas a insistência das empresas em conseguir além da exploração
também a distribuição e a comercialização, começaram a criar problemas com o governo, fazendo que em 1998, a Shell e a Mobil abandonassem Camisea, alegando que o mercado potencial era insuficiente para a realização do projeto. No dia 6 de março o Estado peruano realizará a licitação internacional do transporte e da distribuição de gás.


