Empreiteiro acorrenta-se em poste em protesto contra calote
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 28 (AE) - O empresário Paulo José de Souza, sócio da Sutec Engenharia, acorrentou-se hoje a um poste, em frente do Palácio Iguaçu, sede do governo paranaense, em Curitiba. Ele protesta contra o não- recebimento de aproximadamente R$ 150 mil, referentes a obras que teria feito para a Secretaria da Educação do Estado. Souza também denunciou que, no fim do ano, teria sido sedado num hospital psiquiátrico do Estado.
Ele fez a denúncia ao Ministério Público (MP) e, hoje, entregou um dossiê ao senador Roberto Requião (PMDB-PR) e ao deputado federal Roque Zimmerman (PT-PR). Souza disse que, em 29 de dezembro, quando estava acorrentado em frente da Secretaria de Educação, policiais militares retiraram-no de lá e levaram-no para o Centro Psiquiátrico Metropolitano, onde lhe foram aplicadas duas injeções.
"Quando saí, fui perdendo o sentido e fiquei 48 horas dormindo", afirmou. Requião disse que também irá fazer uma denúncia no plenário do Senado, enquanto Zimmerman prometeu a apresentar na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, logo depois do carnaval.
Segundo a Secretaria de Educação, a construtora concluiu apenas uma das dez obras de reforma de colégios para as quais foi contratada. Até agora, ela teria recebido 73% dos R$ 1,25 milhão devidos. De acordo com a secretaria, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) constatou "serviços com qualidade inferior ao padrão mínimo exigível" e teria proibido o pagamento do restante.
A secretária de Educação, Alcyone Saliba, disse que chamou a polícia no fim do ano por considerar que "não é normal que as pessoas se acorrentem em prédios públicos para tentar solucionar seus problemas".
Segundo a Assessoria de Imprensa do Palácio Iguaçu, os policiais levaram-no ao Centro Psiquiátrico, pois apresentava "total descontrole".
O diagnóstico do médico Olímpio França Júnior foi de que ele estava "agitado, ansioso, angustiado e agressivo". "Como ele já havia tentado se suicidar um mês antes, recomendamos o internamento", disse o diretor da clínia, Wirmond Luiz Rocha DAngelis. Apesar disso, um irmão de Souza não teria permitido a internação. Por isso, ele teria sido medicado com tranquilizantes e orientado a fazer tratamento psicológico. "Em momento algum, usamos de força ou coação", disse DAngelis.


