São Paulo, 07 (AE) -Na última década, o número de municípios considerados pólos industriais no Brasil - com mais de 15 mil empregados - caiu de 69 para 44. De um total de 3,95 milhões de trabalhadores empregados em 1989 na indústria nessas cidades, restavam no ano passado 2,14 milhões, 45,9% menos.
O emprego industrial no País no mesmo período caiu 31,7%
passando de 6,61 milhões para 4,51 milhões de trabalhadores. Os dados constam de estudo feito pelo economista e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann, denominado Nova divisão espacial do emprego assalariado formal no Brasil dos anos 90.
Entre as cidades que perderam a condição de pólo, avaliado pela repercussão que esse volume de empregos provoca na economia local, estão Volta Redonda, Niterói, Petrópolis e Nova Iguaçú, no Rio; Cubatão, Mogi das Cruzes, Mauá, Itú e Sumaré, em São Paulo; Camaçari, na Bahia; e São Leopoldo e Canoas, no Rio Grande do Sul.
São Paulo continua concentrando o maior número de empregos industriais, embora tenha havido uma redução de 47,7%: passou de 1,06 milhão para 557,3 mil. Uma das maiores perdas ocorreu em Santo André, na região do ABC, que tradicionalmente abrigou fornecedores de peças para a indústria automobilística. Nessa cidade, os empregos caíram de 66,3 mil para 28,4 mil.
A gerente de Estudos e Pesquisas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luciana Sá, concorda que a curva do emprego industrial em várias cidades cariocas é decrescente. Para ela, essa redução é consequência da reestruturação do setor, que se modernizou e conseguiu aumentar sua produtividade com menor quadro de pessoal.
Volta Redonda, por exemplo, é um pólo metalmecânico que vem passando por profundas mudanças, principalmente nas empresas privatizadas, "que passaram a produzir mais com menos trabalhadores", diz Luciana. Ela também credita a redução do emprego industrial ao aumento das importações de bens de capital e do fechamento ou transferência de empresas que foram para o interior ou Norte e Nordeste.
Pochmann diz que houve uma expansão do emprego industrial nas cidades menores, mas com maior concentração em micros e pequenas empresas. Entre 1989 e 1998, nos estabelecimentos com até 49 funcionários houve variação positiva de 36,3% na distribuição do emprego industrial em cidades com menos de 15 mil trabalhadores. No conjunto de municípios com número superior de empregos industriais, a variação foi negativa: - 16,2%.

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