Emprego precoce influi na escola
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quinta-feira, 01 de novembro de 2012
Mariana Franco Ramos <br> <br> Equipe Bonde 
Curitiba - Estudantes dos ensinos fundamental e médio de Curitiba participaram ontem do lançamento regional da campanha ''É da nossa conta! Trabalho Infantil e Adolescente'', idealizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Fundação Telefônica Vivo.
Pela manhã, as atividades aconteceram no Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli, na Cidade Industrial, e à tarde, no Calçadão da Rua XV, no centro. O principal problema do trabalho infantil, de acordo com manifestantes, é que a atividade reflete diretamente no desempenho escolar dos jovens.
Segundo a professora Raquel Stadler Barnes, do Rodolpho Zaninelli, é comum que adolescentes que trabalham para ajudar os familiares passem a tirar notas baixas. ''A gente quando vê que o aluno está com mais de cinco faltas num mês comunica as pedagogas, que fazem contato com os pais, para verificar por quê. Há pais que recebem bem e pedem para o filho trocar de serviço, mas há também famílias que dizem que precisam do dinheiro. A região aqui é pobre e infelizmente elas, às vezes, precisam (do trabalho do jovem) para se manter'', conta.
É o caso, por exemplo, do menino Enzo (nome fictício), de 16 anos, que há seis meses trabalha em uma rede de lanchonetes da capital. ''Chego da escola, tomo banho rapidinho, me troco e vou para o trabalho, correndo. Saio de lá às 22 horas, mas só entro em casa por volta de meia-noite. Minha mãe reclama quando falto à aula, só que fico muito cansado para estudar'', revela.
Ele diz que, por essa razão, está com notas vermelhas em várias disciplinas. ''Até em Artes, que é fácil, estou indo mal''. A jornada de Enzo é das 15 às 22 horas, incluindo fins de semana. ''Tenho uma folga por semana e também posso folgar em um domingo por mês'', explica o garoto, que gostaria de cursar Administração quando terminar o ensino médio.
A professora afirma que já procurou os pais de Enzo, que pediram que o jovem permanecesse no trabalho pelo menos até o fim do ano. ''Ele está ciente de que o trabalho está interferindo no rendimento escolar. O problema é que hoje tudo está muito caro e os adolescentes também querem ter as suas coisas. Como os pais não têm a condição de dar, eles muitas vezes acabam optando por trabalhar'', completa Raquel.


