São Paulo, 12 (AE) - O nível de emprego na indústria do Estado caiu 3,64% no ano passado, o correspondente à dispensa de 59.106 trabalhadores no período. Em dezembro, as empresas do setor fecharam 3.987 vagas, o correspondente a uma queda de 0 25%. Apesar dos indicadores com sinais negativos, foram os melhores resultados dos últimos cinco anos, segundo a pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Em 1998, o número de empregos na indústria caiu 7,74%, a maior redução desde a instituição do Real, com a perda de 113.330 postos de trabalho. Em números absolutos, a maior queda ocorreu em 1996, quando 149.305 trabalhadores na indústria ficaram sem emprego, embora o porcentual de queda tenha sido menor (7,53%), já que o número de vagas era maior. Desde 1995, a indústria do Estado dispensou 597.800 funcionários.
O abrandamento do desemprego na indústria paulista é um dos efeitos positivos da mudança na política cambial, afirmou hoje o diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Roberto Faldini. A partir de abril, a tendência passou a ser de estabilidade.
Durante o ano passado, o ramo da indústria que mais contratou funcionários foi o têxtil, estimulado pelos novos negócios proporcionados pela moeda enfraquecida. Com a mudança no câmbio, a indústria têxtil deixou de sofrer a concorrência exercida pelo produto importado e, além disso, passou a disputar o mercado internacional. As exportações não deslancharam, mas, segundo empresários do setor, as perspectivas são favoráveis para este ano.
O setor industrial que mais demitiu foi o de máquinas. As incertezas provocadas pelas oscilações frequentes do dólar refletiram-se no mercado de bens de produção. A indústria de máquinas é um dos setores mais representativos no mercado de trabalho na atividade produtiva. O mesmo ocorre com o chamado complexo têxtil, integrado pelos fabricantes de artigos de confecção, malharias.
Apesar do crescimento constante do mercado de alimentos nos últimos anos, o número de demissões feitas pelas empresas desse setor superou o de contratações. Isso, segundo Faldini, não reflete a realidade dessa área de atividade. O fechamento de uma fábrica de conservas em São Paulo e o enxugamento de mão-de-obra nas indústrias de bebidas comprometeram os indicadores de nível de emprego no setor. Também os ramos de papel, papelão e gráficas tiveram queda no nível de emprego, apesar de os negócios estarem num período de recuperação, após quatro anos de dificuldades. A concessionárias paulistas de energia elétrica promoveram um expressivo enxugamento nos seus quadros de funcionários, após terem sido privatizadas.
Todos esses dados levam os empresários a acreditar que o mercado de trabalho na indústria do Estado começará um ciclo de crescimento neste início de ano. Consulta feita pela Fiesp a seus associados reforça a expectativa. Segundo os empresários, as boas vendas no Natal levaram a uma redução dos estoques e à consequente procura, pelo varejo, por mercadorias nas indústrias. "O comércio varejista já se atreve a apresentar pedidos à indústria", afirmou o diretor da Fiesp.
A queda do nível de emprego em dezembro é considerada sazonal. Dentre os 47 setores de atividade pesquisados pela Fiesp, 28 informaram que demitiram mais do que contrataram trabalhadores no mês passado. Apenas 12 ampliaram seus quadros de mão-de-obra.