Emprego informal é estimulado pela legislação, diz Amadeo
94% eram sem carteira de trabalho assinada, citou Amadeo em sua palestra. Mas ele acredita que o crescimento deste tipo de ocupação - que ele prefere chamar de ilegal, e não informal - não é consequência direta da recessão econômica. O secretário lembrou que esta forma de contratação aumentou também em períodos de crescimento nesta década. Para o secretário, o problema está ligado mais a aspectos "institucionais". Ele defendeu que o governo e os sindicatos "saiam da trincheira" para debater a questão. O governo deve atuar mais como mediador, afirmou o secretário. Mas ele defendeu a discussão do incentivo à participação dos trabalhadores na Previdência Social, a mudança na legislação trabalhista e o papel da Justiça do Trabalho. Duráveis - Na palestra, o secretário previu que o crescimento da economia neste ano seja impulsionado pelo aumento do consumo dos bens duráveis. Ele lembrou que a produção de veículos e eletrodomésticos tem margem para crescer, por causa do alto índice de capacidade ociosa destas indústrias. "Não é descabido pensar em um aumento da produção industrial de dois dígitos neste ano", afirmou Amadeo. Ele afirmou que, mesmo que "nada aconteça" para aumentar a atividade econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode crescer 1,3% este ano, e a produção industrial, 5,2%. No ano passado, lembrou o secretário, a indústria foi incentivada pelo aumento da quantidade de bens exportados, de 30% sobre 1998. "Tivemos um recorde histórico em quantidade de exportações no Brasil", lembrou. A recuperação da economia não deve levar a um grande aumento das importações, na avaliação de Amadeo. Ele espera que o aumento da compra de produtos externos fique entre 4% e 5%, acompanhando a evolução do PIB. Este percentual pode ser até menor, acrescentou. "Com o crescimento sustentado, há uma decisão de investimentos que levam à substituição de importações", justificou o secretário. Social - Além do desenvolvimento econômico, a mudança da política social do governo também é necessária para a redução da pobreza no País, defendeu o secretário. Os programas sociais atendem mais aos "não-pobres" do que aos pobres, avaliou o secretário que responsabilizou governos passados por esta deficiência. "São anos de uma herança regressiva", lembrou. "A mudança da política social exigirá sacrifício dos não-pobres, mas é um ponto importante da política do governo"
afirmou. Ele defendeu, a longo prazo, investimentos em educação
e no curto prazo, gastos governamentais para redução da pobreza.Por Gustavo Alves Rio, 11 (AE) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, afirmou hoje que, por causa da legislação trabalhista, o trabalhador brasileiro concorda em aceitar empregos informais - sem que isso seja imposto pelas empresas que os contratam. "Posso estar enganado, mas me parece que é uma decisão conjunta", afirmou o secretário, no seminário "2000 Cenários", promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). No ano passado, dos 418 mil postos de trabalho criados no Brasil





