Rio, 21 (AE) - O emprego industrial voltou a cair em maio, com variação de -0,1%, depois de ter ficado estável em abril. Apesar disso, o coordenador do Departamento de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales, considera o índice de maio como um dos primeiros sinais de recuperação, indicando um cenário melhor para o mercado de trabalho no segundo semestre deste ano.
Sales afirmou hoje, ao divulgar a pesquisa, que os números mostram uma clara tendência de desaceleração no ritmo de queda do emprego no setor. "Estamos esperando resultados menos negativos do que os verificados nos últimos meses", afirmou o técnico.
Nas comparações entre períodos mais longos, entretanto, os resultados ainda são muito ruins. O emprego industrial acumulou no ano uma retração de 9,1%. Em relação a maio de 98, a queda foi de 8,7%.
Sales comenta que o desempenho do emprego vai estar diretamente ligado ao comportamento da atividade econômica no segundo semestre. "O esperado reaquecimento da economia pode frear o ritmo de demissões, mas não vai reverter o quadro de retração do emprego industrial", prevê. "Os anos 90 foram marcados pelos ganhos de produtividade, resultado do aumento da produção com queda do emprego."
O coordenador ressalta que as regiões que mais sofrem com o aumento das demissões são as mesmas que abrigam os segmentos da indústria mais prejudicados pela desaceleração econômica, como os de bens de capital e bens de consumo duráveis. "A produção em São Paulo e Minas Gerais acumula uma retração acima da média nacional em 1999, assim como a queda do emprego industrial é mais grave nessas regiões", exemplifica.
Ele lembrou que alguns dos setores que reagem mais rapidamente à desaceleração da economia estão nestes dois estados, como as indústrias de metalurgia, mecânica e de aparelhos eletroeletrônicos. Para se ter idéia, a queda acumulada entre janeiro e maio do emprego na indústria mecânica é de 17,1%.
Salários - A pesquisa do IBGE revelou ainda que o total de salários pagos cresceu 0,2% entre abril e maio. Sales analisou que o pequeno aumento foi reflexo direto do reajuste do salário mínimo, mas não representa um movimento de recuperação dos salários no setor.
"A redução do número de postos de trabalho tem efeito perverso nas negociações salariais, deixando os empregados sem poder de barganha para lutar por reajustes maiores", afirmou o pesquisador.
Na comparação com maio de 1998, o indicador apresenta uma queda de 10,2% e de 10,5% no acumulado do ano. O salário médio por trabalhador registrou queda em três das cinco áreas pesquisadas pelo IBGE entre janeiro e maio. A indústria paulista foi a mais prejudicada, com retração de 1,9%, em seguida vem o Rio de Janeiro, com perda de 1,4% e Minas Gerais, de 1%.
Os dados da pesquisa mostram ainda que o número de horas-extras pagas e da jornada média de trabalho em abril apresentaram um decréscimo de 0,7% frente a março. No ano, o total de horas pagas já acumula queda de 9,8%. São Paulo e Minas são novamente os Estados mais afetados, com retração superior à da média nacional: 11,4% e 12,6%, respectivamente.

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