Rio, 22 (AE)- Pela primeira vez desde julho de 1997, o emprego industrial voltou a apresentar estabilidade em abril. Dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que de março para abril o número de contratações e demissões no setor ficou inalterado. Apesar da melhora, o nível de emprego permanece oscilando em patamares muito abaixo dos verificados em 1998. A indústria brasileira já acumula uma perda de 9,1% postos de trabalho este ano, o mesmo resultado obtido durante todo o ano passado.
"Alguns setores estão reagindo, mas ainda verificando números piores do que em 1998", afirmou a economista do IBGE, Mirian Ferreira. A queda do emprego frente a abril do ano passado é de 8,6%, influenciado principalmente pelo aumento nas demissões das indústrias paulista e mineira. "Dois dos maiores parques industriais do Brasil estão apresentando quedas expressivas, isso acaba influenciando todo o comportamento do emprego industrial", explicou. Mirian lembrou a desaceleração econômica dos últimos meses afetou a produção de bens de capital e consumo duráveis, que acumulam no ano uma queda na produção de 12,4% e 16,7%, respectivamente.
A economista ressaltou que a indústria extrativa mineral é que vem sustentando o crescimento da indústria este ano. O desempenho do setor não está sendo suficiente para contrabalançar as demissões na indústria, pois o setor de extração de petróleo não é uma grande geradora de mão-de-obra no País.
De março para abril, os segmentos que mais empregaram foram de perfumaria, sabões e velas (1,5%), vestuário (1,4%) e química (1,3%). Esses setores, especialmente a indústria de vestuário, vêm sendo beneficiada pela desvalorização cambial, que aumentou a competitividade dos produtos brasileiros no exterior e no mercado interno. Já o total de salários pagos pelo setor registrou uma queda de 0,4%, mostrando que a tendência de substituição de funcionários com salários salários mais altos pelos mais baixos continua.

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