São Paulo, 15 (AE) - Pela primeira vez, desde maio de 1997, o nível de emprego na indústria paulista aumentou, segundo pesquisa divulgada hoje pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A recuperação foi pequena, de apenas 317 postos, ante 55 mil eliminados apenas este ano e 115 mil em 12 meses, mas representou a quebra de um ciclo negativo para o emprego. Os empresários esperam que seja o início de um processo de recuperação no setor, mas não garantem.
O diretor da entidade, Roberto Faldini, foi bastante cauteloso em suas projeções. "Se tivermos um céu de brigadeiro no segundo semestre, continuaremos com resultados positivos", afirmou. Porém, ele mesmo lembrou que as turbulências na Argentina podem trazer como efeito colateral uma fuga de investimentos no Brasil, que obrigue o governo a novamente aumentar as taxas de juros para tornar o mercado mais atraente e fazer com que os especuladores considerem vantajoso correr riscos na América Latina.
Faldini informou que a situação da economia brasileira é tão frágil hoje quanto nos piores momentos das crise asiática e russa: não houve a reforma tributária nem a reforma da Previdência, para começar. "Não conseguimos resolver a base para um crescimento sustentado, que é eliminação do déficit público", afirmou.
Caso haja aumento de juros, Faldini não tem dúvidas: a atividade encolherá e o desemprego voltará a aumentar, transformando o bom resultado do mês de junho num mero soluço nas estatísticas.
Em matéria de crises externas, o empresário também teme alguma instabilidade na China, que para ele "continua com um ponto de interrogação" no cenário financeiro internacional. Em relação à situação política brasileira, ele considera pouco provável uma crise decorrente da reforma ministerial.
Prejuízos - A comparação entre os primeiros semestres desde 1995 mostra que este ano trouxe prejuízo grandes para o emprego. Entre janeiro e junho de 1995, o setor contratou 10 mil trabalhadores.
No ano seguinte, em igual período, nada menos que 87 mil foram demitidos. Em 1997, outros 40 mil perderam seus postos. No ano passado, também de janeiro a junho, 73 mil foram dispensados. Este ano, 55 mil.

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