Emprego cai em regiões industrializadas e cresce em áreas em desenvolvimento
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segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 14 (AE) - As grandes regiões industriais do País tiveram queda no nível de emprego entre dezembro de 1989 e dezembro de 1997, mas o emprego aumentou em áreas com menor presença da indústria, segundo o economista João Sabóia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Está havendo o surgimento de pequenos pólos em todo o País", afirmou o economista no XIII Congresso Brasileiro de Economistas e VII Congresso de Economistas da América Latina e Caribe, no Hotel Glória, no Rio.
Sabóia usou dados divulgados pelas empresas na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) para demonstrar sua tese. As Rais têm dados fornecidos pelos funcionários das empresas, para que o governo calcule o direito que cada um tem de receber o Piso de Integração Social (PIS).
Ele pesquisou os dados dos trabalhadores das indústrias de transformação e extrativa mineral em 578 microrregiões em que pode ser dividido o País. A pesquisa também mostrou queda em torno de 23% do nível do emprego industrial.
O economista constatou que todas as grandes aglomerações industriais - com mais de 50 mil trabalhadores - tiveram perda de emprego, enquanto que as pequenas e médias aglomerações - respectivamente, com número de trabalhadores de 5 mil a 10 mil e de 10 mil a 50 mil - tiveram aumento do nível de empregados.
A perda em São Paulo ficou em torno de 33% e a do Rio de Janeiro chegou a 50%, segundo Sabóia. A microrregião de Campos e Macaé, no Norte Fluminense, entretanto, teve a maior perda. Em compensação, houve crescimento do nível de emprego industrial de mais de 50% na microrregião de Goiânia e mais de 1.000% na área de Pacajus (CE), um "caso padrão", segundo o economista, onde a industrialização cresceu com investimentos no processamento do caju.
Sabóia agora prepara-se para estudar o nível de salário e verificar a estrutura das indústrias nas microrregiões onde o nível do emprego nesta atividade cresceu. "Se meu argumento está certo, as empresas foram atrás de baixos salários", afirmou o economista. Ele também defende a tese de que a guerra fiscal entre os Estados - fornecimento de incentivos para atrair grandes indústrias - provocou a descentralização.
Segundo o economista, não é certo que a ida de grandes empresas para locais com pouco desenvolvimento tenha aumentado o nível de emprego nestas regiões. "Os melhores empregos da Ford na Bahia possivelmente irão para pessoas de fora", afirmou, com o argumento de que a mão-de-obra no interior do Estado é pouco preparada.
Os resultados da construção da Volkswagen em Resende, no Sul do Rio de Janeiro, também mostram que a migração de indústrias, "além de gerar pouco emprego, gera pouco emprego local", de acordo com Sabóia. No Centro-Oeste, há uma explicação adicional para o crescimento do número de trabalhadores da indústria, ressaltou: a expansão da fronteira agrícola brasileira, que atraiu novos investimentos.


