São Paulo, 4 (AE) - Os funcionários da Souza Cruz em São Paulo fizeram hoje de manhã uma manifestação em frente à porta da fábrica, no bairro do Brás, contra a ameaça de demissão dos últimos 120 empregados da empresa. Segundo a comissão de funcionários, a Souza Cruz está reduzindo a atividade na fábrica gradativamente desde 1997, para transferir sua produção para o município de Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fumo, Elpídio Luiz Benette, a empresa alega a necessidade de redução de custos e o impacto negativo da campanha contra o fumo. A previsão é de que a Souza Cruz encerre definitivamente suas atividades até dezembro. "Mas não fomos informados sobre o fechamento da fábrica", disse Benette.
A assessoria de imprensa da Souza Cruz afirmou que a diretoria da empresa foi surpreendida pela paralisação, mas já está tentando viabilizar as primeiras negociações. No entanto, o presidente do sindicato da categoria disse que a empresa foi informada com antecedência sobre o movimento e o considerou "legítimo", apesar de não apresentar nenhum posicionamento sobre a questão.
Benette explicou que, de acordo com reportagens publicadas em jornais, para abrir a fábrica no Rio Grande do Sul a Souza Cruz conseguiu benefícios fiscais, empréstimos e um terreno, concedidos pelo governo de Antonio Brito (PMDB), anterior ao atual.
De acordo com Benette, a unidade de São Paulo opera hoje com menos de 10% do contingente de 1,6 mil que havia em 97. Ele afirmou que a produção de fumo ficou restrita ao horário da manhã e, durante o resto do dia, os funcionários se dedicam à limpeza e outras atividades.
Os trabalhadores estão paralisados por tempo indeterminado, até que a empresa se manifeste sobre o assunto. Inicialmente, eles estão exigindo a garantia de seus empregos, mas caso isso não ocorra, será apresentada a seguinte pauta de reivindicações: estabilidade de um ano, dez salários, convênio médico integral por seis meses, um salário por filho menor, seis meses de ticket-refeição, recolocação do pessoal demitido e o não desconto no adicional da participação nos resultados.

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