Empregadas do casal Pitta dizem que não viram encontros
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Rogério Panda 
São Paulo, 13 (AE) - A cozinheira Maria José Aurora Melo e a passadeira Maria dos Santos, que trabalhavam na casa do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), antes da separação da ex-primeira-dama Nicéa Pitta, negaram hoje ter presenciado reuniões políticas na residência quando os dois eram casados. O inquérito policial foi instaurado a pedido Procuradoria-Geral de Justiça e investiga suposto crime corrupção ativa cometido pelo prefeito, secretários e o presidente da Câmara Municipal, Armando Mellão (PMDB), e passiva pelos vereadores da base governista.
Elas prestaram depoimentos por 2 horas e 45 minutos ao procurador Alberto de Oliveira Andrade Neto, coordenador do Setor de Apuração de Crimes de Prefeito da Procuradoria-Geral de Justiça, e ao delegado Jorge Carrasco, titular da 1.ª Delegacia Seccional, no centro.
Atualmente, as empregadas domésticas trabalham no flat onde Pitta mora. Elas afirmaram apenas que aconteciam muitas brigas entre o casal.
"Os dois depoimentos não trouxeram nenhuma informação importante para as investigações", disse Andrade Neto.
Nicéa havia declarado no depoimento na Procuradoria-Geral de Justiça que, no período entre abril e maio de 1999, os vereadores governistas cobraram propina para votar contra a abertura de um processo de impeachment de Pitta. Nicéa disse que presenciou, em sua ex-residência, reuniões entre Pitta e os secretários de Saúde, Jorge Pagura, Comunicação Social, Antenor Braido, e Governo, Carlos Augusto Meinberg, e Mellão, onde, supostamente, estava sendo decidido o valor da propina para cada vereador governista.
De acordo com Andrade Neto, Maria José afirmou que foi contratada em 1997 como diarista e despedida meses depois, sendo admitida novamente apenas em junho de 1999 - após as negociações denunciadas por Nicéa. "A outra, a passadeira (Maria dos Santos), não soube dizer nada, pois chegava na residência às 7 horas e saía às 18 horas", afirmou Andrade Neto. "As reuniões aconteciam no período noturno."
O único depoimento válido até o momento que ajudou a polícia foi o da empregada Maria Helena Aurora. Ela trabalhava e dormia na residência do casal Pitta, antes da separação. Ela confirmou à polícia a realização de reuniões em abril e maio, pois servia cafés aos convidados.
"O depoimento dela veio corroborar com as declarações prestadas por d. Nicéa", contou Andrade Neto. "Ela chega a citar as reuniões, inclusive com a presença de Jorge Pagura; a reunião seria na época da votação da abertura do processo de impeachment, mas ela não soube afirmar qual o teor das conversas." A Procuradoria e a polícia estão procurando a empregada Maria da Paz, que também trabalhou na residência do casal. Segundo o procurador, ela pode ter mais informações sobre as reuniões entre Celso Pitta, secretários e o presidente da Câmara. Atualmente, ela estaria morando em São Carlos, no interior de São Paulo. Maria da Paz deve ser intimada na próxima semana para prestar esclarecimentos sobre o caso.


