Curitiba A aposentadoria deveria ser o momento do tão sonhado e merecido descanso para o trabalhador que contribuiu para a construção do País uma vida inteira. Mas na prática não é bem assim. Existe um grupo da terceira idade que precisa permanecer no mercado para complementar a renda familiar. Há um outro, que tem fôlego para iniciar uma nova etapa da vida, abrindo um negócio ou voltando para a sala de aula, em busca de nova profissão. O cenário atual aponta perspectivas favoráveis para o idoso, mas com enfoque inédito: nada de turismo, viagens, spa, saúde e lazer. A tendência é o empreendedorismo.
Em 20 anos, a expectativa de vida cresceu 28% no Paraná, ultrapassando os 80 anos. Já está em vigor, há quatro anos, o Código Nacional do Idoso, que estabelece direitos específicos para o segmento. A Medicina também avança, a cada dia, promovendo uma política preventiva da saúde e estimulando hábitos saudáveis na população.
''Hoje a pessoa que se aposenta com 50 anos, por exemplo, tem uma longevidade de 30 anos, quase metade de uma vida pela frente. É o momento de avaliar uma nova carreira ou de construir um empreendimento'', analisa o vice-presidente de Cultura do Sindicato Paulista dos Auditores Fiscais do Trabalho, Juarez Correia Barros Júnior.
''Cada empreendimento criado por um idoso gera dois postos de trabalhos para jovens. A permanência desse segmento no mercado não tira emprego de ninguém, pelo contrário'', informa Juarez Correia, que também é o coordenador nacional do Terceiro Ciclo de Seminários 2006, promovido pelo Sebrae.
Ontem o programa realizou, em Curitiba, um seminário para estimular empreendedores da terceira idade. ''Discutimos que não se pode ter ilusões para não cair em ciladas. Não é todo mundo que tem afinidade para ter uma pousadinha na praia ou uma casa de café. É preciso planejar bem o empreendimento e fugir de projetos fantasias, da idealização',' explica Juarez Correia.
Segundo o coodenador nacional, a proposta é mostrar como potencializar o tempo, que é entendido de forma diferente nessa fase da vida, e que não pode ser mais a jornada de 12 a 14 horas de trabalho. ''Além disso, encontrar algo que dê prazer e com outros parâmetros de remuneração '', elenca.
Os seminários, que ainda vão acontecer no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e Porto Alegre, recebem apoio da Confederação Nacional do Comércio (Fecomércio), Instituto Ethos, Banco Real, Fundação de Seguridade Social (Geap) e Gelre.

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