Empenho de governadores dependerá do governo, dizem Covas e Garotinho
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sábado, 16 de outubro de 1999
Por Gilse Guedes, Mariana Caetano e Vera Rosa 
Brasília, 17 (AE) - O empenho dos governadores para que as bancadas no Congresso aprovem os dois projetos de emenda à Constituição sobre cobrança previdenciária vai depender da contrapartida do presidente Fernando Henrique Cardoso para adoção de medidas - entre elas a alteração da Lei Kandir (que desonerou as exportações) - que tirem os Estados do sufoco financeiro. A posição é dos governadores de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que controlam duas das três maiores bancadas no Congresso, respectivamente.
Covas disse que está disposto a conversar com os parlamentares. Ele, no entanto, cobrou do presidente apoio para aprovação de medidas favoráveis aos Estados. O governador de São Paulo foi irônico ao falar de seu poder de convencimento sobre a bancada paulista. "O presidente tem maior influência, já que integrantes do PMDB e PFL não me apóiam no Estado." Garotinho, que saiu do encontro fazendo críticas ao presidente, disse que vai agir para atrair deputados e senadores para a proposta se tiver motivação. "Preciso de ânimo." Para ele, o presidente usou novamente o "prestígio dos governadores".
"Foi como ver Vale a Pena Ver de Novo (programa da Rede Globo)", ironizou. "O cardápio de hoje foi melhor do que o que foi servido na Granja do Torto (no encontro de fevereiro entre o presidente e governadores foi servida uma feijoada), mas a reunião só foi boa para o presidente." A surpresa do encontro foi a posição moderada e otimista do governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, que elogiou a discussão no Alvorada e comprometeu-se a conversar com a bancada e com a direção do PT para alertá-los sobre a necessidade da taxação dos inativos. "O PT vai ter de entender que não se trata de uma questão partidária", disse Zeca.
O líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), disse que vai aconselhar Zeca do PT - o único do partido a participar da reunião - a ter "um pé atrás" com o governo". "Espero convencer o Eduardo Jorge e o Zeca do PT a não emprestarem suas boas intenções para o governo enrolar seu saco de maldades", declarou Genoíno. O projeto de reforma do deputado Eduardo Jorge (SP) é visto com bons olhos pelo Planalto.
Os governadores de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), e de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), também manifestaram a disposição de convencer as bancadas de seus Estados a apoiarem as emendas no Congresso. Lessa comprometeu-se a se reunir com seu colega de partido, o governador do Amapá, João Capiberibe, que não esteve no encontro, para discutir o assunto.


