Já no período de gestação o bebê é capaz de sentir dor. O Ambulatório de Mobilização de QI Mental do Setor de Medicina Chinesa-Acupuntura da universidade avalia, inclusive, a participação das emoções da mãe em malformações congênitas. ''As emoções maternas durante a gestação podem gerar desconforto no feto e, dependendo do caso, afeta o desenvolvimento do bebê, especialmente nos casos onde há sentimento de rejeição'', explica Márcia Lika Yamamura, pediatra infectologista, responsável pelo ambulatório.
Hoje é muito estudada a comunicação entre a mãe e o bebê intra-uterino. As análises passam pelo tipo de desconforto que pode ser causado no bebê, até suas consequências futuras. Estudos antigos já consideravam na formação da criança a fase da vida dentro o útero. ''Quando a mãe não tem um ambiente gestacional favorável, isso é transmitido para o bebê'', informa Márcia. Através de exames tridimensionais, explica, os médicos conseguem visualizar as expressões do feto e com isso avaliar o que ele está sentindo.
A rejeição é um dos pontos chaves dessas pesquisas. Em 2003, um estudo feito com adultos, coordenado por Naomi I. Eisenberger, da Universidade da Califórnia, já havia revelado que o sentimento de rejeição estimula a mesma área do cérebro responsável pela dor. ''O tipo de parto, o aleitamento materno... é o conjunto deste ambiente emocional em que o bebe está sendo trazido ao mundo que irá colaborar para a maneira com o qual o indivíduo irá interagir com os acontecimentos, norteando os traços de personalidade'', observa Márcia.
Apesar de ser necessário considerar não só o momento da gestação, é de extrema importância que a mulher tenha uma gravidez tranquila. Ou, como diz um provérbio chinês: ''A mulher grávida deve ser como uma 'boba', ficar no alto da montanha vendo apenas paisagem bonita para não pensar em nada de ruim''. (V.C./AE)

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