Emoção na despedida do padre Adelir
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sexta-feira, 01 de agosto de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Dezenas de pessoas passaram ontem pela paróquia de São Cristóvão, em Paranaguá, para dar adeus ao padre Adelir de Carli. Alguns fiéis passaram toda a noite de quinta-feira e a madrugada de ontem em vigília na Casa de Acolhida ao Caminhoneiro (obra iniciada pelo sacerdote há quatro anos para abrigar os caminhoneiros que se dirigem ao Porto de Paranaguá) fazendo orações e aguardando a chegada do corpo do sacerdote, que veio do Rio de Janeiro após ter sua identidade confirmada através de um exame de DNA.
A espera foi longa. O corpo chegou ao município somente às 17h30 de ontem. Às 19 horas, uma missa foi celebrada em homenagem ao padre. A previsão era de que ele seguisse, às 22 horas, para Ampére (57 km a oeste de Francisco Beltrão), cidade natal do padre, onde seu corpo será enterrado hoje, após uma missa marcada para as 10 horas.
Segundo o conferente Jurandir de Correia, Adelir era muito querido pela comunidade da paróquia. ''Por ele a gente faz qualquer coisa'', garante. Ele e sua filha estão na lista de pessoas que iriam viajar para Ampére, acompanhando o corpo. Cerca de 100 fiéis deveriam lotar dois ônibus. Alguns carros também acompanhariam a caravana.
Para alguns fiéis que conheciam o padre o momento foi ainda mais especial pela oportunidade de se despedir do amigo. ''Era para eu vir ajudar a fazer os balões (de festa usados no vôo), mas não deu para vir'', lamenta o aposentado Egídio Cândido Rover, que relembra com pesar a última vez que encontrou Carli. ''Ele nunca deixava de ir lá em casa, a última vez foi na Páscoa'', lembra.
Uma das preocupações dos presentes é a manutenção dos trabalhos iniciados pelo padre na Pastoral Rodoviária, que presta apoio a caminhoneiros. Segundo Rudinei Viana Mendes, membro da pastoral, o bispo de Paranaguá, Dom João Alves, assumiu temporariamente esse trabalho, enquanto aguarda a chegada de dois novos sacerdotes para assumir essa função. Uma das obras mais importantes é a Casa de Acolhida ao Caminhoneiro, uma estrutura de 3,4 mil metros quadrados de área construída com capacidade para abrigar 200 caminhoneiros. Em quatro anos foi erguida toda a estrutura dos alojamentos e refeitório, agora é preciso fazer o acabamento da obra.
O pai de Adelir, Aurélio de Carli, emocionou-se com a devoção dos fiéis de Paranaguá. ''Ficamos comovidos com o amor da comunidade. A corrente de orações e de ajuda foi excelente''. Opinião semelhante tem o primo do padre, Sérgio de Carli, que deixou um voto de agradecimento ao povo parnanguara. Ele considerou uma bênção o exame que confirmou a identidade do corpo e colocou um ''ponto final'' no sofrimento da sua família.
O padre Adelir de Carli levantou vôo no dia 20 de abril puxado por centenas de balões de festa com o intuito de divulgar o trabalho da Pastoral Rodoviária. O mau tempo e os ventos fortes desviaram sua rota para alto mar, onde ele se perdeu. No dia 3 de julho, uma embarcação da Petrobrás encontrou um corpo compatível com o do sacerdote no litoral fluminense. Na última terça-feira um exame de DNA confirmou que o corpo encontrado era mesmo de Adelir. (Colaborou Ellen Taborda)


