Emissoras se negam a suspender apostas
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Agência Folha 
A juíza Ritinha Stevenson, da 20ª Vara Federal de São Paulo, poderá determinar o uso de força policial para notificar oficialmente às emissoras de TV que elas devem suspender as apostas pelos telefones de prefixo 0900. Apesar da decisão da juíza suspendendo os sorteios na semana passada, algumas emissoras estão se recusando a receber a oficial de Justiça com a notificação.
Caso as empresas continuem a se recusar a receber a notificação, o uso de força policial será solicitado pelo promotor federal Duciram Farena, que atua no caso. Nesse caso, os policiais conduziriam a oficial de Justiça para dentro das empresas e encontrariam um responsável legal para receber a notificação da Justiça.
Até ontem, a oficial de Justiça da 20ª Vara Federal não tinha conseguido comunicar as emissoras. Segundo relato da oficial, na TV Manchete ela foi recebida apenas pelo chefe da segurança, identificado como Acácio. Ele teria afirmado que não havia advogados ou representantes legais da emissora para receber a notificação. Na TV Record, a oficial foi recebida por um funcionário identificado como Sebastião Neto, que se recusou a assinar a comunicação.
A oficial de Justiça ainda tentou comunicar a decisão para o SBT. Ela foi recebida pelo chefe da segurança, que chamou um advogado da empresa que se identificou apenas como Marcelo. Ele também se recusou a assinar o documento. Na empresa Abba, que gerencia os sorteios para a Record, um funcionário identificado como Gilberto Rosa também se recusou a assinar a notificação. As assessorias de imprensa da Record e de Globo informaram ontem que as emissoras não foram comunicadas oficialmente sobre a decisão da Justiça e, por isso, continuam a veicular os telessorteios. As outras emissoras não quiseram comentar o caso.
A Able (Associação Brasileira de Loterias Estaduais) entrou ontem com recurso no Tribunal Regional Federal de São Paulo para tentar cassar a liminar expedida pela juíza Ritinha Stevenson. No recurso, a Able afirma que tem competência para realizar sorteios em caráter nacional.


