Curitiba - As emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil em 2014 permaneceram estáveis em relação ao ano anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia. A nova projeção do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, rede que reúne 37 entidades da sociedade civil organizada, foi divulgada ontem, em São Paulo, 11 dias antes do início da 21ª Conferência das Partes (COP-21), em Paris.
De acordo com os dados, o País emitiu no ano passado 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2e), uma redução de 0,9% no comparativo com o patamar verificado em 2013, de 1,571 bilhão de toneladas. Há dois anos, porém, uma aceleração de 28% na taxa de desmatamento na Amazônia havia feito as emissões crescerem 8,2%. Para André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação do Grupo Boticário, uma das instituições que integra o observatório, o resultado ficou abaixo do esperado.
"Houve um aumento nos outros setores, como energia, que emitiu 6% a mais (479,1 milhões de toneladas de CO2e), principalmente devido ao uso das termelétricas no Nordeste e no Centro-Oeste/Sudeste, o que tem muito a ver com a crise hídrica", afirmou. Segundo ele, com isso, a queda de 9,7% na mudança de uso da terra (desmatamento), com 486,1 milhões de toneladas CO2e, acabou não fazendo diferença na contribuição para o aquecimento global. "Tudo indica que em 2015 (as taxas) vão voltar crescer", avaliou. Ele disse ser necessário, para resolver o problema, diversificar a nossa matriz energética, investindo em fontes limpas, como a eólica e o etanol.
Pará, São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais são, na sequência, os estados que mais produziram GEE, por conta, justamente, do desmatamento e do aumento de consumo de energia. O Paraná aparece na 10ª colocação, com 62,7 milhões de toneladas de CO2e, atrás do Rio Grande do Sul (5º lugar, com 93,65 milhões) e à frente de Santa Catarina, com 39,12 milhões. Por aqui, as maiores emissões ocorreram na agropecuária, na energia, em processos industriais e em resídios sólidos.
"O Paraná já foi coberto de florestas e, hoje, apesar de não estar entre os maiores emissores, também emite bastante; possui uma frota grande de veículos, que tem crescido, e tem uma forte produção agrícola", comentou Ferretti. Ele lembrou que já existem atualmente técnicas relativamente simples que podem ser utilizadas para reduzir as emissões no setor, conservando a água e o solo. "A integração entre lavoura, pecuária e floresta deveria ser mais explorada. Permite que você deixe o solo descansar e traz benefícios econômicos também."
Os dados oficiais do governo brasileiro, que utiliza uma metodologia diferente, ainda não foram divulgados para 2013, nem para 2014. No INDC, que é o plano climático anunciado pela presidente Dilma Rousseff (PT) para a COP-21, a União se compromete a reduzir em 37% as emissões de gases causadores do efeito estufa entre 2005 e 2025 e em 43% até 2030, além de acabar com o desmatamento ilegal e garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética.

mockup