Londrina – Nos cinco anos de vigência da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), completados no fim do ano passado, o País tornou a registrar aumento nas emissões de gás carbônico após três anos de quedas. Os dados do último levantamento do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima apontam que, em 2013, a emissão de carbono tornou a subir. Naquele ano, foram 1,570 bilhão de toneladas de gás carbônico lançados na atmosfera, 7,8% acima do índice registrado em 2012.
Em dezembro de 2009, a PNMC entrou em vigor com o objetivo de reduzir voluntariamente em 36,1% a 38,9% as emissões de gases de efeito estufa no País até 2020. Com a metade do prazo já esgotada, o setor de energia, responsável pelo aumento mais significativo da emissão de gás carbônico, se tornou o novo vilão das políticas ambientais, no lugar do desmatamento, que teve redução expressiva na última década.

OBSOLETA

O coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, André Nahur, reconheceu os importantes avanços da PNMC, mas, segundo ele, é inevitável se pensar em uma atualização com metas mais ambiciosas. "A política foi o primeiro passo, mas já não contempla as necessidades atuais. No contexto da década passada, ela prioriza o desmatamento. Hoje, os maiores geradores de carbono são outros", salienta.
Para o secretário-executivo da ONG Observatório do Clima, Carlos Rittl, a harmonização entre a política climática e as demais políticas públicas é fundamental para promover reduções substanciais de emissões em todos os setores. Segundo ele, mesmo com as reduções a partir da queda do desmatamento amazônico na última década, as emissões em todos os demais setores econômicos aumentaram nesse mesmo período.

DESPERDÍCIO

De acordo com o coordenador do levantamento de emissões climáticas, Tasso Azevedo, o aumento no consumo da gasolina, no lugar do álcool, e o excessivo uso de termoelétricas na produção de energia elétrica foram determinantes nesse crescimento. Para Nahur, o Brasil desperdiça as condições climáticas favoráveis para a geração de energia solar ou eólica. "São potencias não explorados que poderiam evitar o acionamento das termoelétricas durante a crise hídrica, por exemplo", pontua.
Dados da organização internacional The Climate Group apontaram baixa eficiência do Brasil na "década do desenvolvimento". Segundo o ranking elaborado com 130 países, o Brasil ficou em 43º lugar no mundo na chamada "produtividade energética", ou no quanto se gera no PIB por exajoule de energia consumido. O país mais produtivo em energia é Hong Kong. Nahur acredita que o desenvolvimento do País pode caminhar junto com as questões ecológicas. "Uma coisa não impede a outra, mas são necessários investimentos no setor, porque no fim tudo funciona como uma engrenagem, é preciso alcançar atingir este equilíbrio."

MOBILIDADE URBANA


O aumento desenfreado da frota de veículos é uma preocupação comum entre os ambientalistas. Nahun aponta que 60% da poluição da cidade de São Paulo é provocada pelos veículos. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Brasil tem um automóvel para cada 4,4 habitantes. São 45,4 milhões de carros circulando nas 5.570 cidades do País. Há dez anos, a proporção era de 7,4 habitantes por carro. Já o número de motos é de 18 milhões, uma para cada 11 habitantes. O total é mais de três vezes que o registrado em 2003, de 5,3 milhões, quando a proporção era de uma moto para cada 33 pessoas.
A criação de projetos que contribuam para a redução de emissão de gases do efeito estufa, como investimentos no transporte coletivo e mobilidade urbana em regiões metropolitanas, é um dos pontos mais atrasados e criticados por ambientalistas. Só em Cuiabá, 22 obras que deveriam ser entregues para a Copa do Mundo ainda seguem atrasadas. Entre elas, o metrô de superfície Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), obra mais cara já contratada pelo governo do Mato Grosso, que já consumiu R$ 1,4 bilhão e deveria ter sido entregue em março de 2014. Não há previsão de término.

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