Fazer uma mudança drástica na vida mudando-se do nordeste para o sul do país pode trazer alguns prejuízos na preservação das tradições Os filhos nascem por aqui e passam a não mais conviver com a cultura a que pertencem os pais, mas os nordestinos que adotaram Londrina como lar têm lá seus artifícios para que os costumes não se percam com o tempo
Maria Neuza até hoje lamenta que uma das filhas não herdou o interesse pela culinária nordestina, mas vê esperança em um dos netos, de sete anos, que já sabe fazer até acarajé Já o vendedor ambulante Marcos Heleno Pereira mantém, até hoje, o baião de dois, a tapioca, a buchada e a carne de sol no cardápio diário, mesmo tendo como esposa uma londrinense
Francisco Melo Campos vê no sotaque uma maneira divertida de fazer o filho mais novo guardar um pouco dos traços nordestinos do pai ''Procuro fazer que ele fale corda, porta (com o erre arrastado) Hoje ele até fala para meus amigos que é do nordeste'', afirma, orgulhoso Já na casa de Gilvan Saldanha da Cruz, preserva-se o relaxante costume de dormir em rede ''Na casa de um paraibano não pode faltar rede''
A esposa de Raimundo Campos Jr, o Ceará, é descendente de japoneses e ensinou-o a fazer sashimi e niguiri, pratos típicos da culinária oriental Mas ela também precisou aprender a cozinhar a buchada de bode Segundo Ceará, os nordestinos que residem em Londrina também são bem unidos e se reúnem esporadicamente para manter as tradições ''Em um ou dois finais de semana por mês, nos encontramos e matamos carneiro para fazer buchada na casa de alguém''(MFC)

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