Émerson Fittipaldi será operado hoje pela manhã da fratura na segunda vértebra lombar e a expectativa é de que volte para casa em uma semana. O neurocirurgião chefe do Jackson Memorial Hospital da Universidade de Miami, Barth Green, que comandará a equipe, disse que os riscos de Émerson ficar paralítico são quase nulos. ‘‘Ele deverá perder por um tempo parte da força da perna esquerda, mas aos poucos, se a cirurgia for bem sucedida, vai recuperá-la.’
A operação, segundo Green, envolve os riscos normais de qualquer cirurgia na coluna vertebral e requer procedimentos delicados. Os médicos farão um pequeno corte na altura da vértebra fraturada e retirarão os fragmentos de ossos acumulados entre a primeira e a terceira vértebra lombar. Em seguida, reconstituirão a segunda vértebra com os próprios pedaços retirados e com ossos coletados do banco do hospital e a firmarão com dois cabos de titânio de 0,75 centímetros de espessura, perpendiculares e presos nas extremidades da primeira e terceira vértebras por pequenos parafusos.
O titânio servirá para estabilizar a coluna e impedir a compressão entre as vértebras, que poderia causar lesão neurológica e a perda parcial dos movimentos das pernas. O piloto vem recuperando a sensibilidade da perna esquerda desde o dia do acidente, mas a operação é necessária para acelerar esta reabilitação e evitar o risco de uma lesão mais grave.
A cirurgia deve durar cerca de cinco horas, segundo o ortopedista Frank Eismont, que integra a equipe comandada por Green. Eismont revelou que Émerson teve sorte por ter o cordão nervoso central da espinha mais alto do que o normal. Por constituição genética, este cordão na coluna do piloto acaba na parte de cima da L1, primeira vértebra lombar. Na maioria das pessoas, termina entre L1 e L2. A fratura na segunda vértebra poderia causar até tetraplegia caso o piloto tivesse o cordão normal. ‘‘No caso dele a fratura pode comprometer apenas cerca de 25 a 30 ramificações nervosas que se ligam ao cordão da espinha’’, explicou. É esta razão que diminui o risco de paralisia.
A constituição genética também beneficiou Émerson na cirurgia do ano passado, quando teve a sétima vértebra cervical esmagada num acidente em Michigan. O fato de ter uma coluna com diâmetro maior do que o normal permitiu que os fragmentos de ossos se espalhassem mais e não atingissem o cordão espinhal.
O piloto está internado na UTI do Departamento de Neurocirurgia do Jackson Memorial Hospital amarrado a uma cama especial, que imobiliza a coluna e gira lateralmente, para ativar a circulação sanguínea. Depois da operação, terá de usar durante seis meses um colete de fibra de vidro ou acrílico, da altura da cintura até a parte de cima do tronco, feito sob medida e resistente à água, para firmar a coluna.
Os médicos Green e Eismont elogiaram o trabalho dos colegas do Hospital Einsten na remoção de Émerson e no tratamento do corte na testa e nos exames da coluna. ‘‘Eles fizeram um belo trabalho’’, disse Green.

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