Émerson Fittipaldi, operado com sucesso da fratura na segunda vértebra lombar, já foi capaz de ficar sentado na cama e tentará caminhar pela primeira vez hoje. Émerson deve deixar o hospital até terça-feira e iniciará um programa de fisioterapia para recuperar 100% da força da perna esquerda.
A terapia incluirá na primeira semana exercícios leves com a perna esquerda e, gradativamente, musculação, bicicleta ergométrica e natação. Mas Émerson não poderá realizar nenhuma atividade de alto impacto, como corrida a pé, por pelo menos seis meses. Durante este período, usará um colete de propileno (plástico bem leve), que só tirará para dormir. O colete terá preso em volta um pequeno aparelho que emite ondas eletromagnéticas para estimular a coluna.
Em poucas semanas, Émerson poderá inclinar quase normalmente o corpo para frente. ‘‘Neurologicamente, ele saiu da cirurgia como estava antes do acidente’’, disse o cirurgião-chefe do Jackson Memorial Hospital Barth Green, que comandou a operação de 5h20. ‘‘Está apto a virar um bailarino’’, brincou.
Émerson, porém, não será capaz de pilotar carros sofisticados e velozes como os Fórmula 1 e Indy. O diretor médico da Cart, Steve Olvey, o informou sobre isso há dois meses, depois de preparar o espírito do campeão para a notícia. A impossibilidade não se deve à fratura causada pelo acidente de ultraleve, mas à fratura anterior, na sétima vértebra cervical, que o deixou com apenas 70 a 75% da força na mão direita.
‘‘Émerson não será capaz de controlar o volante em situações de emergência em pistas de alta velocidade’’, disse o doutor Olvey. Desde a primeira cirurgia, em julho passado, o piloto recuperou 30% da força da mão, mas há seis meses não consegue nenhuma evolução. ‘‘A chance de ele recuperar alguma força a mais é quase nula’’, afirmou o médico. ‘‘Por isso, não poderá dirigir carros de Fórmula Indy e Fórmula 1 competitivamente, porque estas são categorias em que os pilotos necessitam de 100% de esforço durante todo o percurso de uma corrida.’
Segundo Olvey, Émerson ainda será capaz de pilotar outros carros de corrida, como os protótipos de provas de longa duração como Le Mans. ‘‘Neste caso o esforço é em média de 80%.’ Segundo Olvey, Émerson não se chocou quando soube das suas limitações. ‘‘Ele trabalhou duro nos primeiros meses para recuperar sua condição física, mas aos poucos foi aceitando a idéia de que não melhoraria mais.’
A operação de ontem, segundo Olvey, não deverá deixar nenhuma sequela no piloto. Já pela manhã, antes da operação, Émerson era capaz de mexer voluntariamente o pé esquerdo para cima e para baixo, movimento que não conseguia fazer.

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