Emendas sugerem salário mínimo de até R$ 224
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 31 (AE) - As 31 emendas apresentadas pelos parlamentares à medida provisória que fixa o salário mínimo em R$ 151 se caracterizam pela modéstia. O valor mais alto sugerido é de R$ 224,80, tendo por base a variação média do índice de preço ao consumidor nos últimos cinco anos. O deputado Paulo Lima (PMDB-SP) agrega à sua proposta de um mínimo de R$151 a idéia assistencialista de distribuir com o salário uma cesta básica com os seguintes produtos ou o valor monetário correspondente: cinco quilos de arroz, dois quilos de feijão, um quilo de fubá, um quilo de macarrão espaguete, um quilo de sal, dois quilos de açucar cristal, um quilo de farinha de trigo e uma lata de óleo.
Lima alega que a cesta ou o bônus "possibilitará que as famílias de 16 milhões de trabalhadores tenham uma vida digna e de exercício de sua cidadania". Há emendas propondo reajuste semestral do mínimo e outras que assegurariam o chamado "valor digno" para o salário até o ano 2010, como é o caso da que foi apresentada pelo deputado Jair Meneguelli (PT-SP). O deputado Luiz Antonio Medeiros (PFL-SP), apresentou duas emendas: uma delas fixando o mínimo em R$177 a partir de maio; a outra vinculando esse valor aos benefícios da Previdência.
Mas ele próprio encabeça o movimento do partido favorável à adoção desse valor a partir de janeiro do ano que vem.
Apesar de o PMDB apostar na manutenção do mínimo em R$151, como foi proposto pelo governo, o relator que o partido indicou para comissão mista que vai examinar a MP do mínimo, deputado Armando Monteiro (PMDB-PE), afirmou que ainda não tem uma posição definida sobre a questão. Ele tem até o dia 7 para apresentar seu aprecer. Monteiro disse que vai avaliar as fontes de recursos sugeridas em algumas propostas para bancar o aumento maior do que o desejado pelo Executivo.
Vai ainda tentar se posicionar nos depoimentos que serão feitos na comissão na semana que vem.
O primeiro deles, na terça-feira, às 17 horas, será o do relator da comissão especial da Câmara que debateu o mínimo, deputado Eduardo Paes (PFL-RJ). No dia seguinte, a comissão vai ouvir o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. O depoimento do ministro da Previdência, Waldeck Ornelas, está marcado para a quinta-feira. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, aceitou em princípio comparecer ao Congresso na sexta-feira, só que a data deve ser mudada, já que poucos parlamentares comparecem à Casa nesse dia.


