Embratur investe no interno
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Redação 
Ney de SouzaTuristas no Macuco Safári, que chega perto das Cataratas do Iguaçu; turismo doméstico é
a saídaEm 96, segundo o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), cerca de 3,5 milhões de brasileiros deixaram o País para conhecer outros lugares, principalmente nos Estados Unidos e Europa. E menos de 2,1 milhões de turistas estrangeiros chegaram ao Brasil para passar as férias.
Apesar desse déficit, este ano os esforços da Embratur estão concentrados em captar o turista brasileiro. O turismo doméstico é a grande saída para o País, disse Nilo Sérgio Félix, superintendente da Embratur no Rio de Janeiro.
Para investir no trabalho de divulgação dos pontos turísticos do Brasil, dentro e fora do País, o Congresso Nacional aprovou este ano um orçamento de R$ 24 milhões. No ano passado essa verba não ultrapassou os R$ 7 milhões. Só nos quatro primeiros meses deste ano investimos R$ 700 mil na campanha promocional conhecida como Conheça o seu País, disse Félix.
Em 96, o fluxo do turismo doméstico ficou na casa dos 18 milhões de pessoas. Um número baixo se comparado com o potencial do Brasil, um país de 160 milhões de habitantes. O Brasil só vai ter um bom fluxo de turistas estrangeiros, na casa dos seis milhões de pessoas, quando desenvolver o turismo doméstico, concorda Sérgio Nogueira, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (ABAV).
Segundo Nogueira, cada região precisa desenvolver e explorar melhor os produtos turísticos que têm. Por exemplo, a região Sul é um grande atrativo durante o inverno. Por isso, é preciso criar um produto, talvez algum evento, que atraia o turista em outras épocas do ano, explica Nogueira.
Para o presidente da ABAV, é fundamental investir em segmentos que hoje são pouco explorados como o turismo estudantil e o histórico-cultural. Todos falam sobre a importância da energia. Então, porque escolas, colégios e universidades não promovem passeios à Itaipu? Esse tipo de turismo, o estudantil, pode ser patrocinado por empresas, como bancos e fábricas de refrigerantes, exemplifica Sérgio Nogueira.
O sucesso da campanha para incrementar o turismo doméstico depende do apoio da iniciativa privada. Em todo o Brasil, já são cerca de 300 hotéis, além de locadoras de veículos e companhias aéreas, que aderiram à idéia. Na baixa temporada, os descontos proporcionados por essas empresas chegam a 50%.
O turista brasileiro é disputado por muitos países, onde é considerado um dos melhores turistas do mundo. Em Miami, é o turista que mais gasta dinheiro, depois do japonês.


