Embratel projeta crescimento de 70% da Internet
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 19 - A Embratel, que tem o maior backbone do Brasil, prevê crescimento de 70% da Internet nos próximos três anos, chegando aos sete milhões de usuários em 2001. Segundo estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) "A Internet e os Provedores de Acesso", a Embratel informou que o tráfego brasileiro na rede quadruplicou no ano passado. Cerca de 60% desse tráfego são originados em São Paulo, 30% no Rio e o restante em outras grandes capitais, o que revela que ainda existe uma grande concentração dos usuários e dos provedores de acesso na região Centro-Sul.
Por outro lado, o interesse do internauta brasileiro por sites locais vem aumentando, como atestam os dados da Embratel de que o tráfego dirigido à rede internacional caiu de 90% no final de 1996 para 60% atualmente. O conteúdo tornou-se o diferencial, segundo o BNDES, já que a intensa competição nas grandes capitais (60% dos internautas eram clientes de mais de 300 provedores em 1998) reduziu o preço para acessos de qualidade cada vez melhor.
Por isso, na avaliação do BNDES, mesmo a America Online (AOL), maior provedor de acesso do mundo, com 18 milhões de assinantes, terá de associar a experiência internacional à realidade local. "Fatores como conteúdo adequado aos gostos e necessidades dos usuários, notícias locais, linguagem ajustada aos padrões de perceção e significação regionais podem ser determinantes do sucesso ou fracasso do novo empreendimento", afirma o BNDES no estudo.
O anúncio da chegada da AOL provocou no Brasil também um movimento de aquisições de provedores menores para criação de rede nacional. "Embora os valores dessas transações, em geral, não sejam divulgados, existe o sentimento de que também aqui as empresas que provêem serviços para a Internet estão altamente valorizadas", atesta o BNDES. A americana PSINet já comprou seis provedores brasileiros, a ViaNetWorks assumiu a Dialdata, a Telefônica adquiriu o controle do ZAZ.
A conclusão do BNDES, com base em avaliações de observadores desse mercado, é que em alguns anos haverá de um lado grandes empresas provedoras de serviços de telecomunicações
como o acesso à Internet, e de outro, pequenos provedores especializados atendendo grupos de, no máximo, cinco mil usuários ou empresas. "Entretanto, a iminente definição de algumas regras de concorrência nesse mercado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as investidas das grandes empresas internacionais, que estão em pleno curso, indicam que muitas mudanças deverão ocorrer no cenário brasileiro nos próximos meses", afirma o BNDES.


