Campinas, SP, 24 (AE) - Fábricas de celulose e papel que antes descartavam seus resíduos orgânicos a céu aberto estão montando equipes de vendas para comercializá-los e equipes de reciclagem que aproveitam parte dos rejeitos como adubo na produção de mudas e nos reflorestamentos de eucaliptos e pinheiros. A transformação do lixo em produto deve-se a uma equipe de quatro pesquisadores da Embrapa Florestas, de Colombo, PR, e a um pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite, de Campinas, SP. Juntos, eles estudam, desde 1992, os melhores processos para transformar cada tipo de rejeito orgânico da produção de celulose e papel em adubo.
"Cada fábrica tem um processo diferente e produz resíduos diversos, por isso estudamos caso a caso", explica Cláudia Maia, da Embrapa Florestas (http://www.cnpf.embrapa.br). Grandes empresas, como a Champion e a Suzano, de São Paulo, já recorreram à ajuda da equipe, que acaba de concluir um estudo para a Iguaçu Celulose, de Piraí do Sul (PR) e está trabalhando com a Impacel, também do interior do Paraná, com plantio de eucaliptos (Eucaliptus dunnii).
A Iguaçu Celulose gera cerca 2.500 toneladas mensais de casca de pinheiro (Pinus taeda) e 400 toneladas de lodo biológico para produzir cerca de 6.000 toneladas de celulose. Esses resíduos, antes descartados, agora serão misturados e aproveitados nos viveiros da empresa, como solo para as mudas. Os excedentes do novo solo/adubo serão vendidos a terceiros, sobretudo a produtores de húmus de minhocas. "O lodo sozinho, apesar de sua relativa fertilidade, não tem aeração suficiente, o que conseguimos misturando a casca de Pinus", diz Cláudia Maia.
"Analisamos tanto a capacidade desta mistura de reter umidade como sua composição, para ver quais os nutrientes presentes e quais os índices de contaminação, sobretudo por metais pesados, utilizados nos processos de fabricação da celulose e do papel", conta Itamar Bognola, da Embrapa Monitoramento por Satélite (http://www.nma.embrapa.br). Segundo ele, os índices de contaminantes estão dentro dos limites aceitáveis e o substrato apresenta uma ótima capacidade de retenção de umidade, o que pode ser muito útil na recuperação de solos compactados ou degradados pela erosão.
Mais informações com Cláudia Maia, pelo telefone (041) 7661313 ou o endereço eletrônico [email protected]. Os técnicos que preferirem podem ler o comunicado técnico dos pesquisadores na homepage (http://www.nma.embrapa.br/publica/com-tec4.html) da Embrapa Monitoramento por Satélite.

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