Campinas, SP, 08 (AE) - Só nos primeiros sete dias de setembro foram registradas nove mil fococs de incêndio em todo o território nacional, segundo levantamento do Centro de Monitoramento por Satélite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). "O número é altamente preocupante", disse o gerente de pesquisa da unidade, Evaristo Eduardo de Miranda. DE acordo com ele, durante todo o mês de setembro do ano passado foram constatados 15.199 focos. Os dados, divulgados hoje, mostram que as queimadas realizadas no País durante o período de estiagem estão aumentando ano a ano.
Em agosto desse ano foram registradas 39.630 queimadas contra 35.412 ocorridas no mesmo período do ano passado, perfazendo um aumento de 12%. Em agosto de 1997, o número ficou em 13.226. Este ano, a região Centro-Oeste, formada pelos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, foi a campeã das queimadas em agosto, com um total de 22.950 focos registrados. Esse número corresponde a um aumento de 24% em relação às 18.525 queimadas constatadas no mesmo período do ano passado. "As imagens dos satélites mostram uma grande nuvem de fumaça sobre os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul"
diz Miranda.
Na região Sudeste, formada pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, foram registrados 3.221 queimadas, o que significa um aumento de 118% em relação aos casos 1.476 registrados em agosto do ano passado. O destaque ficou por conta do Estado de São Paulo, onde o aumento chegou a 132%, passando de 580 para 1.346 queimadas. Na região Sul, houve um aumento de 1.570%, com o número de queimadas saltando de 74 em agosto de 1998 para 1.228 no mesmo período desse ano. "Esse é um caso atípico, porque no ano passado choveu mais nos Estados do Sul", explica Miranda. Apenas as regiões Norte e Nordeste apresentaram queda no número de queimadas em agosto, respectivamente de 5% e 23%. Miranda aponta duas razões para o aumento nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. A primeira delas seria a estiagem prolongada, que aumenta a carburência da vegetação e favorece os incêndios acidentais. "Até mesmo um caco de vidro perdido no mato pode iniciar um incêndio, ao refletir os raios solares sobre a vegetação seca" , explica. O outro fator, segundo ele, decorre de uma prática antiga entre os produtores rurais. "Muitos pecuaristas queimam os pastos para que as forragens brotem novamente, garantindo o alimento para a criação na época da seca", diz Miranda. De acordo com o pesquisador, o método é comum principalmente nos Estados de Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais.

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