Embrapa quer lançar primeira linhagem nacional de soja transgênica em 2 anos
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quarta-feira, 07 de julho de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 08 (AE) - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) pretende lançar em dois anos a primeira linhagem nacional de soja transgênica resistente ao herbicida roundup, com tecnologia da Monsanto. Desde abril de 1997 - quando assinou um contrato de parceria com a Monsanto - a Embrapa está desenvolvendo testes de campo autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), utilizando variedades adaptadas às condições ecológicas brasileiras, como a BR 16. A Embrapa detém de 60% a 70% do mercado de sementes de soja no Brasil e o objetivo da estatal, segundo a diretora Elza Battaggia Brito da Cunha, é qualificar mais as cultivares de maior produtividade com a introdução de genes resistentes a herbicidas. O contrato da Embrapa com a Monsanto foi contestado esta semana pelo secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hoffmann, ao informar que pediria sua anulação ao Congresso e à Procuradoria Geral da República, alegando que o mesmo é "secreto" e mostra a subserviência de um órgão estatal aos interesses da multinacional. Elza Brito da Cunha rebateu as críticas do secretário gaúcho afirmando que o extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial do dia 25 de abril de 1997 - dois dias depois da assinatura, e que a Embrapa conseguiu garantir, no item 6, que as linhagens e cultivares resistentes ao herbicida serão de propriedade "exclusiva" da estatal. "Temos de colocar à disposição da agricultura nacional a melhor tecnologia de ponta existente no mundo", avaliou a diretora.
O interesse da Monsanto ao ceder o gene resistente ao herbicida, seria exatamente aumentar a venda do roundup no País com um maior número de sementes transgênicas. Outra crítica do secretário foi a inclusão de uma cláusula de confidencialidade no contrato sobre as atividades das duas empresas. "Um dos requisitos para a patenteabilidade é a novidade, e desafio o secretário a mostrar um só contrato assinado após as negociações do GATT em 1994 que não contenha esta cláusula de confidencialidade", assegurou a diretora. Ela lembrou, ainda, que a empresa tem contratos de pesquisa não apenas com a Monsanto, mas com outras multinacionais como a Novartis e a Cyanamid, além de universidades americanas. E afirmou que a empresa conntinuará buscando parcerias.
"Estamos olhando para o futuro e não importa qual o interlocutor, pois temos de respeitar os parceiros", explicou. Ela avalia que existem nichos de mercado para todo mundo e que o agricultor é que deverá optar pela tecnologia de plantio, mas o papel da Embrapa, como empresa pública, é disponibilizar todos os avanços possíveis ao produtor. "Nos Estados Unidos, 47% de toda a área plantada já é de produtos transgênicos, e no livre mercado, cada um faz o que achar melhor". A diretora ressaltou que a Embrapa não pode ficar parada enquanto seus competidores avançam com o uso da tecnologia que será o carro-chefe da agricultura no novo milênio, e cujas pesquisas precisam de grandes investimentos. "A Embrapa tem a obrigação de continuar buscando parcerias para defender o próprio País e no futuro, não depender de gene isolado por ninguém", disse. Defendeu um programa próprio de pesquisa com prospecção de genes na floresta para que outros países venham negociar com o Brasil. "O País tem grande potencial na agricultura tropical e temos de pensar no futuro", afirmou.


