Embrapa prepara soja resistente a herbicida
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domingo, 03 de outubro de 1999
Por Sérgio Bueno, enviado especial 
Gramado, RS, 04 (AE) - Dentro de aproximadamente um ano e meio, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estará pronta para lançar uma linhagem de soja transgênica resistente ao herbicida Imazapir. A planta, que ainda não tem denominação comercial e poderá ser desdobrada em diversas variedades, está passando por testes de segurança nutricional e ambiental, processo que exige cerca de três anos, explicou hoje o pesquisador Francisco Aragão, da Embrapa-Cenaergem (Centro Nacional de Recursos Genéticos), de Brasília.
Aragão, que participou hoje do simpósio de abertura do 45º. Congresso Brasileiro de Genética, em Gramado (RS), explicou que o desenvolvimento de uma linhagem de soja transgênica requer a produção inicial de 200 plantas resistentes ao herbicida. Destas, selecionam-se as dez mais "estáveis", com maior capacidade de gerar descendentes também resistentes, que são submetidas a doses de herbicida três vezes superiores às aplicadas nas lavouras convencionais. Daí separam-se as cinco melhores, mas apenas uma delas será levada aos testes de segurança.
"São testes muito caros", disse o pesquisador. Segundo ele, o custo das experiências com a linhagem final alcançam R$ 1 milhão. Considerando-se o trabalho, desde sua fase inicial, o orçamento chega a R$ 4 milhões. A pesquisa da Embrapa, neste caso, começou há dez anos. Riscos - Aragão explicou que os riscos ambientais da soja transgência são pequenos, já que ela não tem possibilidade de cruzamento com outras plantas e o perigo de polinização cruzada com outro tipo de soja é de apenas 1%. O maior problema é a capacidade das ervas daninhas de adaptarem-se ao herbicida ao qual a cultura é resistente, eliminando os benefícios da transgenia. "O ideal é desenvolver uma soja com diversas resistências para que o agricultor possa usar herbicidas diferentes", comentou.
Para Aragão, a solução seria um trabalho conjunto das empresas que desenvolvem as plantas geneticamente modificados, mas ele reconhece a dificuldade comercial dessas alternativas. Como opção, à medida em que surgirem fornecedores diferentes no mercado (atualmente só há a Monsanto), o pesquisador recomenda que os produtores façam um rodízio entre tipos de sementes que irão utilizar em suas lavouras. Feijão - Aragão disse ainda que dentro de dois anos a empresa concluirá o desenvolvimento de uma variedade de feijão resistente ao vírus "mosaico dourado do feijoeiro do campo". A doença, que é transmitida pela mosca branca, é responsável pela quebra de 40% a até 100% das lavouras em Estados mais quentes, como Bahia, Goiás, Mato Grosso e até no Paraná, segundo o cientista.
De acordo com Aragão, já existem três linhagens em testes ambientais e nutricionais, das quais será selecionada a melhor delas. A Embrapa está investindo R$ 500 mil no projeto. Os recursos são do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Ainda segundo o pesquisador, a empresa está na fase inicial de desenvolvimento de variedades transgênicas de soja, algodão e feijão resistentes a insetos e de bananas resistente a fungos.
Toda as pesquisas estão sendo realizadas pelo Cenargen, em Brasília. Esses trabalhos ainda levarão entre dois e três anos para serem concluídos e exigirão investimentos mínimos de R$ 2 milhões. A Embrapa, que está bancando os projetos com recursos próprios, busca de parcerias com universidades.


