Embrapa pesquisa feijão, mandioca e café
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Fatima Cardoso 
São Paulo, 30 (AE) - O presidente da Embrapa, Alberto Portugal, disse que a empresa está desenvolvendo pesquisas na área de biotecnologia para as culturas de café, feijão e mandioca. Segundo ele, a empresa fez também uma série de acordos de parceria para a pesquisa de sementes geneticamente modificadas de soja, milho, algodão e batata. A Embrapa já tem acordos com a Monsoy (Monsanto), Agrevo, Cyanamid e está fechando uma parceria com a Rhône-Poulenc.
Por ser estatal, diz ele, a empresa desenvolve duas linhas na área da engenharia genética: a mais comercial em parceria com o setor privado; nas outras culturas, de menor interesse comercial, a pesquisa está sendo feita por iniciativa da própria Embrapa.
Portugal afirma que a pesquisa para o desenvolvimento de feijão resistente ao ataque de caruncho é a mais adiantada. Ele disse que, na sua opinião, a biotecnologia muda os parâmetros competitivos entre os países e, por isso, acha que o Brasil não deveria abrir mão desses avanços.
Ele acrescentou, porém, que a decisão sobre a biossegurança dos organismos geneticamente modificados é da CTNbio, a comissão de especialistas criada para decidir se o produto pode ser produzido e consumido dentro do Brasil.
"Se uma parcela da sociedade não estiver satisfeita com a decisão da CTNbio, deve pressionar o Congresso e mudar a legislação", disse Portugal após participar de seminário em São Paulo sobre biotecnologia.
Concentração - O presidente da Embrapa defendeu também que o governo brasileiro dê apoio para as pequenas empresas de sementes nacionais. O Brasil vive o mesmo processo de concentração que já afetou os Estados Unidos, com as multinacionais da área de herbicidas comprando as empresas de sementes. A DuPont, por exemplo, anunciou na semana passada a compra da indústria Dois Marcos, de Goiás.
O gerente de negócios da DuPont, João Lammel, disse hoje que a compra da Pioneer, anunciada há duas semanas, não estava nos planos da empresa e foi uma exigência da onda de concentração que tomou conta do mercado de sementes.
A estratégia da DuPont para entrar no mercado de alimentos geneticamente modificados era fechar parcerias com as empresas de sementes, que multiplicariam o material genético e pagariam royalties para a multinacional. Mas há cerca de dois anos, diz Lammel, começou um forte processo de concentração no setor e as parcerias não vingaram.
Por isso, a decisão estratégica de comprar a Pioneer, uma das maiores empresas de sementes mundiais.
A prioridade da DuPont/Pioneer é pesquisa de engenharia genética na área de "outputs", ou seja, a modificação da qualidade dos produtos, desenvolvimento de alimentos com mais proteínas, mais quantidade de óleo, de melhor sabor e até para novos usos.
Por enquanto, a primeiro produto realmente geneticamente modificado é um tipo de soja com alto teor de óleo que ainda está com uma área plantada de 12 mil hectares.
A divisão da DuPont que cuida desta área é a Optimum e que, segundo Lammel, ainda deve ser estabelecida oficialmente no Brasil. Ele acredita que os primeiros produtos de biotecnologia da DuPont devem chegar ao Brasil em três ou quatro anos.


