Porto Alegre, 11 (AE) - Por falta de R$ 30 mil, a Embrapa Trigo de Passo Fundo paralisou, em meados de janeiro, as análises de plantas de soja supostamente transgênicas recolhidas no Estado. A empresa deveria ter recebido entre 1 mil e 1,2 mil amostras do Ministério da Agricultura, mas o trabalho foi interrompido depois da coleta de 271 amostras, que estão congeladas na metade do processo de avaliação. O DNA delas já foi extraído, mas ainda não foi possível realizar a "leitura" do material para verificar a transgenia.
De acordo com o chefe da Embrapa Trigo, Benami Bataltchuck, os recursos não chegaram porque o Orçamento Geral da União para 2000 ainda não foi aprovado. Enquanto isto, ele está recebendo apenas 60% do dinheiro necessário à operação da unidade. "Os custos fixos são de R$ 110 mil por mês e em janeiro recebemos R$ 72 mil", informou.
Bataltchuck disse que não há risco de as amostras, recolhidas em nitrogênio líquido a 163 graus centígrados negativos e mantidas a 22 graus negativos, se estragarem. "A menos que cortem a luz da Embrapa", comentou. Segundo ele, se as análises não forem concluídas até a colheita o governo perderá qualquer possibilidade de ação contra a distribuição dos produtos eventualmente transgênicos no mercado.
As 271 amostras disponíveis foram recolhidas em 90 propriedades. A coleta foi iniciada no final de dezembro por determinação do juiz Antônio Prudente, da 6ª Vara Federal de Brasília. Em resposta a uma ação movida pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), ele ordenou a mobilização do Ministério da Agricultura e da Polícia Federal para investigar o suposto plantio de soja transgênica no Rio Grande do Sul. A operação deveria atingir 270 propriedades e de 1 mil a 1,2 mil amostras.
Os R$ 30 mil necessários seriam divididos entre as unidades da Embrapa em Passo Fundo, Londrina e Brasília, na proporção do envolvimento de cada uma no trabalho de análise. Metade seria consumida no Rio Grande do Sul. A liberação dos recursos pelo Ministério da Agricultura poderia ocorrer em caráter extraordinário, desde que haja "decisão política" a respeito, explicou Bataltchuck. Porém, o próprio Ministério, segundo ele, enfrenta dificuldades financeiras para realizar o trabalho de campo.
Desde o final de 1998 a Embrapa Trigo de Passo Fundo havia analisado mais de 200 amostras de sementes enviadas pela Polícia Federal. Elas foram testadas com aplicação do herbicida Roundup Ready e não foi constatada transgenia. Conforme Bataltchuck, as estimativas extra-oficiais iniciais de que pelo menos 600 mil hectares seriam plantados com soja transgênica no Rio Grande do Sul não devem se confirmar. "O governo do Estado foi muito efetivo na campanha contra o plantio e os produtores preferiram não arriscar a perder suas propriedades".

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