Campinas, SP, 07 (AE) - Aos poucos, o consumo de cogumelos no Brasil deixa de ser um "monopólio" da espécie Agaricus bisporus, ou Champignon Paris, para dar espaço também a outras espécies mais saborosas da cozinha asiática, como o Shimeji e o Shiitake, ou da cozinha européia. Se depender da pesquisadora Arailde Fontes Urben, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (http://www.cenargen.embrapa.br), a diversificação e a ampliação deste mercado vão ser ainda maiores
multiplicando dezenas de vezes as modestas 3 mil toneladas de cogumelos cultivadas anualmente no País.
Arailde coordena dois projetos de pesquisa sobre cogumelos: um de desenvolvimento de substratos para cultivo e outro de identificação de espécies brasileiras potencialmente comestíveis e medicinais. O primeiro projeto surgiu após uma visita da pesquisadora à China, em 1995, onde conheceu a técnica Jun Cao, de cultivo de cogumelo sobre um substrato de gramíneas e nutrientes, ao invés de troncos ou serragem de madeira. Ela adaptou a técnica para as gramíneas e condições de solo e clima brasileiras, com redução de custos, maior facilidade de manejo e menos impacto ambiental, com a eliminação do corte de árvores.
Segundo Arailde, os substratos com bons resultados para o Brasil são os feitos de farelo de arroz, gesso, água e gramíneas, podendo variar entre a cana-de-açúcar e os capins conhecidos como andropogon, tifton, coast cross, braquiária (decumbens ou brisantha) e capim elefante. "O substrato seco, triturado e misturado, passa por uma esterilização a vapor, a 120 C, em autoclave ou pasteurizador, antes de servir de base ao cultivo dos cogumelos", explica a pesquisadora, que tem divulgado a técnica em cursos a produtores.
No outro projeto de pesquisa que coordena, Arailde Urben conseguiu coletar e armazenar no Banco de Germoplasma da Embrapa cerca de 45 espécies de cogumelos e fungos nativos. Contou, para isso, com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Embrapa Florestas, do Paraná, além dos dois estudantes, de graduação e pós-graduação, que trabalham diretamente com ela, em Brasília. As espécies foram todas coletadas em remanescentes de Mata Atlântica.
Este ano, duas outras expedições de coleta serão realizadas, em remanescentes de Mata Atlântica da Bahia, possivelmente em Itabuna, e na Floresta Amazônica, próximo de Manaus.
Das 45 espécies já coletadas em Pernambuco e no Paraná cerca de 20 são comestíveis ou medicinais. "Algumas são muito saborosas, como a Pleurotus flabeliforme, e tem um aspecto muito atraente, com bom potencial para comercialização", diz a pesquisadora.
Uma lista dos cogumelos nativos com possibilidade de aproveitamento será publicada, em breve, pela Embrapa. Maiores informações com Arailde Urben através do endereço eletrônico [email protected] ou do telefone (061) 3484631.

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