Embrapa melhora industrialização de água-de-coco
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terça-feira, 08 de junho de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 09 (AE) - Em breve os refrigerantes de máquina terão um concorrente nordestino de preço equivalente, mas muito mais saudável. A Embrapa Agroindústria Tropical (http://www.cnpat.embrapa.br), de Fortaleza, conseguiu vencer a dificuldade técnica para industrializar água-de-coco, sem conservantes e sem necessidade de congelamento. O segredo está na extração da água, de dentro do fruto, sem nenhuma contaminação, nem contato com o ar. A tecnologia é totalmente nacional e não tem similar nos outros países produtores de coco verde.
A pesquisa foi coordenada por Fernando Abreu, da Embrapa
a pedido do Sindifruta, que reúne mais de 600 produtores de frutas. Onze desses produtores trabalham com coco verde e financiaram parte do estudo (R$ 75 mil). Outros R$ 75 mil foram financiados pelo Sebrae e mais R$ 157 mil pela Financiadora de Estudos e Projetos, Finep (http://www.finep.gov.br).
Cinco dos produtores de coco montaram uma empresa - a ser incubada pela própria Embrapa - para comercializar a nova água-de-coco, em garrafinhas de 330ml, ao preço final de R$ 1. A capacidade inicial de produção será de 10 mil garrafinhas/dia. O nome comercial do produto e o design do rótulo sairão de um concurso, a ser julgado até setembro.
"A água-de-coco estraga com muita facilidade, com qualquer coisinha que entre em contato", explica Euvaldo Bringel, presidente do Sindifruta. Isso vinha obrigando os produtores a enviar todo o coco aos mercados consumidores ou engarrafar e congelar o produto, com perda de sabor. Com a nova tecnologia de extração, o sabor se conserva, conforme se comprovou no Laboratório de Análise Sensorial da Embrapa, em abril. Consumidores provaram a água-de-coco natural, a água-de-coco industrializada e congelada e a nova água-de-coco. O novo produto obteve a preferência de 40% dos presentes, enquanto o produto in natura obteve 56%. Fernando Abreu comemora: "O produto desenvolvido perdeu apenas para a natureza e foi testado num público que entende de água-de-coco. Em um segundo teste, feito com 50 pessoas convidadas aleatoriamente, o produto alcançou o índice de 80% na preferência!"
A industrialização da água-de-coco nos estados produtores reduzirá, ainda, o desperdício e os custos de transporte, aumentando a receita dos produtores. "Atualmente vendo o coco inteiro para São Paulo e Rio de Janeiro", explica Bringel. "Mas só um terço é água, os outros dois terços são lixo, exportado para as cidades". O mesmo lixo, mantido na zona de produção, vira matéria orgânica para adubação dos próprios coqueirais. As novas perspectivas de comercialização devem aumentar significativamente as áreas plantadas com coco verde, hoje em torno de 6 mil hectares, no Ceará.
Maiores informações com Fernando Abreu, pelo telefone (085) 2991832 ou do endereço eletrônico [email protected].


