São Paulo - A clonagem aparece como a mais nova esperança para criadores que perdem animais de alto valor produtivo. A novidade chega com a bezerra Lenda, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o primeiro exemplo nacional de que os clones bovinos podem ser feitos também a partir de células de animais já mortos.
O novo clone foi fabricado com células adultas retiradas da granulosa camada de células que circunda o óvulo de uma vaca leiteira morta num acidente. Lenda é o terceiro caso de clonagem bovina a partir de células adultas no Brasil, e o primeiro a partir de um animal morto. Em 2002, pesquisadores da Unesp já haviam feito a bezerra Penta, que viveu cerca de um mês.
Neste ano, a mesma equipe da Embrapa fez um clone a partir de um animal vivo, mas a bezerra só viveu três dias. Lenda, por sua vez, já tem 12 dias de vida e é muito saudável, segundo os cientistas. ''Fazer clones a partir de animais já mortos é uma estratégia que a gente poderá aproveitar sempre que um animal de elevado mérito genético sofrer um acidente'', disse por telefone Rodolfo Rumpf, 43 anos, líder da equipe da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.
Segundo o pesquisador, o próximo objetivo de seu grupo é organizar um banco genético para que os criadores desses animais consigam produzir clones e evitar quedas em sua produção. Além disso, o veterinário acha que a técnica pode ser usada para regenerar animais silvestres vítimas de acidentes que estiverem ameaçados de extinção.

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