Embraer vende para Leste Europeu e garante que continuará exportando
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 24 (AE)- A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) efetivou hoje, em Varsóvia, sua primeira venda para o Leste Europeu. A companhia de transporte aéreo LOT, da Polônia, adquiriu 12 jatos ERJ-145, no valor de US$ 200 milhões. Mas a grande expectativa criada em torno da decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) ainda domina as atenções. Segundo o presidente da Embraer, Maurício Botelho, as atividades comerciais da empresa no exterior serão preservadas. "Não importa o que acontecerá, nós vamos continuar a competir e vender", afirmou.
A negociação com a LOT foi mais uma batalha na guerra contra a rival canadense Bombardier travada no mercado internacional de jatos regionais para 50 passageiros. A direção da Embraer pretende utilizar a Polônia como porta de entrada neste novo mercado e consolidar sua presença na região. O contrato prevê seis vendas firmes e mais seis opções de compra, com entregas a partir de julho até setembro de 2000. "No futuro pretendemos adquirir mais unidades do ERJ-145", afirmou o presidente da LOT, Jan Litwinski.
A Embraer garante desconhecer o conteúdo do julgamento preliminar do painel da OMC que avalia o Programa de Financiamento às Exportações (Proex). Mas já adota uma postura mais defensiva, enquanto aguarda o resultado final que sairá na primeira quinzena de março. Botelho está convencido que as decisões do órgão não serão tão drásticas a ponto de tornar inviável as operações comerciais. "Todos os países do mundo protegem suas exportações", ponderou.
Caso a OMC vete a utilização do Proex para o setor aeronáutico, a Embraer espera que o governo federal crie dispositivos que garantam a competitividade de seus produtos no mercado externo. O financiamento da venda anunciada hoje foi feito com auxílio do Proex e de agentes financeiros internacionais. "O sistema de apoio à exportação do País vai se adaptar porque ninguém vai perder um mercado tão promissor como o da aviação regional", observou Botelho.
O grande aliado da Embraer para convencer o governo a criar novas fórmulas de apoio ao financiamento externo são os números gerados pela empresa nos últimos quatro anos. Neste período foram investidos US$ 500 milhões na companhia e a previsão para este ano é de se aplicar mais US$ 180 milhões. Gerou-se 3,7 mil empregos qualificados e a carteira de exportações fechou o exercício passado com R$ 1,2 bilhão. "Demos uma contribuição enorme para o País e o governo sabe que não pode perder uma empresa como essa", afirmou.
Uma derrota do Proex na OMC também abalaria as perspectivas de venda dos jatos recém-lançados ERJ-170, de 70 lugares, o ERJ-190, de 90 lugares. Outro membro da família de jatos da Embraer, o ERJ-135, de 37 lugares, também teria dificuldades de manter os índices atuais de venda. Porém, o órgão deverá considerar ilegal tanto os incentivos recebidos pela Bombardier como pela Embraer, criando um equilíbrio na concorrência.
A disputa entre a Embraer e Bombardier na OMC teve início na concorrência aberta pela empresa Continental Express, dos Estados Unidos, que adquiriu 200 unidades do jato brasileiro. Até o momento, o jato Canader RJ, com sete anos no mercado, tem 532 compras firmes e 290 aparelhos entregues. O concorrente brasileiro, o ERJ-145, foi lançado há três anos e apresenta 239 compras firmes, tendo 104 unidades já entregues.


