São José dos Campos, SP, 30 (AE) - A direção da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) investiga a ação de sabotadores dentro da empresa. O ato foi detectado no dia 5 deste mês, quando inspetores da companhia encontraram dois jatos regionais ERJ-145 com os chicotes do sistema hidráulico cortados. Os aparelhos estavam prontos para ser entregues à clientes estrangeiros. Tanto o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos como fontes ligadas à Embraer confirmaram a sabotagem, mas até o momento não há pistas da autoria do crime.
A descoberta dos aviões sabotados abriu uma nova frente de confronto entre as direções da Embraer e do sindicato local. Nem os sindicalistas ou os diretores da empresa querem comentar o assunto, mas há trocas de acusações mútuas. A companhia informou que esse assunto está sendo tratado internamente e se nega a comentar o caso. Porém, os sindicalistas investigam possíveis comentários públicos de diretores da Embraer apontando os membros da entidade como suspeitos da ação.
Segundo o dirigente sindical e funcionário da Embraer, Marco Antonio Ribeiro, a entidade se manifestará assim que tiver concluído um vasto levantamento que está sendo feito sobre o caso, inclusive com a busca de provas materiais sobre acusações contra os diretores da categoria. Ele contou que os comentários sobre as sabotagens apareceram logo após uma assembléia sindical. Neste encontro houve problemas entre sindicalistas e funcionários da empresa, que não queriam aderir ao movimento.
Os sindicalistas duvidam da veracidade da versão. A maior evidência disto seria a falta de transparência por parte da empresa nesta investigação. Apesar de ter confirmado a sabotagem, a companhia teria deixado os diretores do sindicato verem os aviões afetados. Para os representantes da categoria, a Embraer tenta criar um clima de tensão entre os empregados na tentativa de justificar a existência de 300 câmeras ocultas instaladas na linha de montagem.
A empresa também não se pronunciou a esse respeito. Mas, de acordo com o sindicato, a Embraer se justifica dizendo que isto foi necessário para conter a espionagem industrial. Os metalúrgicos acreditam que esse sistema de vigia é voltado para observar e monitorar as atividades dos trabalhadores e do sindicato no interior da fábrica. " Estão usando de má fé nesta história, não tenho dúvida disto", comentou o diretor Ribeiro.
Os jatos ERJ-145 conseguiriam decolar com os chicotes seccionados, entretanto o aparelho ficaria impossibilitado de baixar os trens de pouso para aterrisagem. Provavelmente, o ato criminoso teria ocorrido na última fase de testes ainda nos hangares, nas etapas derradeiras do processo de montagem do avião. O ERJ-145 é o carro-chefe da Embraer e o líder mundial no nicho dos jatos regionais de 50 lugares.

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