Embraer entrega primeiro ERJ-135 e aguarda OMC para vender mais
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quinta-feira, 22 de julho de 1999
Por Júlio Ottoboni 
S.José dos Campos (SP), 23 (AE) - A direção da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) acredita que ainda há chances da Organização Mundial do Comércio (OMC) rever sua posição quanto ao Programa de Financiamentos às Exportações (Proex). O vice-presidente comercial da empresa, Frederico Curado, disse hoje que a Embraer está preparada para qualquer decisão.
O resultado das análises do àrgão de Apelação da OMC, que avalia a argumentação brasileira em favor do dispositivo, será conhecida no próximo dia 2. " O preço dos nossos produtos não serão afetados", afirmou.
Jato - A Embraer entregou nesta sexta-feira o primeiro jato ERJ-135 para a companhia norteamericana Continental Express. O evento ocorreu num certo clima de tensão pela proximidade do resultado final sobre o impasse criado na disputada de mercado com a empresa canadense Bombardier. Segundo Curado, as negociações anteriores feitas utilizando-se do Proex serão integralmente mantidas.
Ele acredita que, qualquer que seja a decisão da OMC, a competitividade da empresa deverá se mantida dentro de padrões ainda elevados. A direção da empresa considera que seus jatos têm diferencial suficiente em relação à concorrência para manter-se na liderança do mercado de aviões regionais de 50 e 35 lugares.
Neste segmento, os aparelhos brasileiros disputam com os produtos da Bombardier e da Fairchild Dornier, da Alemanha. Curado explicou que os custos de operação, preço dos aviões da Embraer são menores que os competidores, além de serem superiores em qualidade.
Juros - A Embraer manterá as negociações em curso, mesmo que perca o apoio estratégico do Proex. A empresa já deu provas que consegue manter suas transações sem utilizar o programa de equalização de juros do governo federal com a venda efetuada para a companhia Crossair.
O governo brasileiro estuda em parceria com a companhia quais as possíveis soluções que poderão ser adotadas numa decisão desfavorável na OMC. "O governo nos tem dado garantias e irá resolver isto", afirmou Curado.
Os clientes da Embraer aguardam com expectativa o fim desta disputa na OMC. A empresa tem mais de 800 unidades em ordens de compra firmes e opções. E acredita que manterá os mesmo níveis de negociação independente do resultado.
Porém, já conseguiu apoios importantes nesta batalha. O presidente da Continental Express, David Seigel, declarou que continuará adquirindo os aviões brasileiros, inclusive os novos membros da família de jatos. "Veja o caso do ERJ-145 que é o melhor em seu segmento hoje, tanto em economia como em qualidade", comentou o dirigente norteamericano.


