Embraer é eleita empresa do ano por Melhores e Maiores
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terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Edilson Coelho 
São Paulo, 23 (AE) - A Embraer, único fabricante brasileiro de aviões, foi eleita hoje a empresa do ano do por Melhores e Maiores, da revista Exame. A Embraer foi premiada pelo desempenho obtido em 1998, quando faturou US$ 1,2 bilhão - volume 82,7% , maior do que em 1997 - e lucrou US$ 86,7 milhões, após sucessivos prejuízos mesmo depois de privatizada em dezembro de 1994. Apesar disso, o clima não está tranquilo entre os empregados em sua fábrica, emSsão José dos Campos (SP).
Segundo o presidente da Embraer, Maurício Novis Botelho, não se trata de a companhia ter obtido sucesso somente após a privatização. Para ele, o fato de ter estado nas mãos do governo
que criou a infraestrutura para o funcionamento de uma companhia aérea, foi de grande valia.
Anteriormente, frisou, a criação do Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA) e do Instituo Tecnológico da Aeronáutica (ITA) foram os pontos de apoio para que surgisse a Embraer de hoje.
No final do anos 80, por causa de inúmeros regulamentos da empresa estatal e sem poder de fogo para brigar no mercado internacional, que exige rapidez e preços competitivos, a Embraer acabou caindo numa onda de prejuízos.
Seu quadro de funcionários, que chegara a 13 mil pessoas quando era estatal, caiu para 3 mil em 1995. Hoje, com o aumento dos pedidos, elevou também o número para mais de 6 mil empregados.
Produtividade - No que depender de Botelho, o volume de negócios não deve parar por aí. Diferentemente dos três aviões que produzia há dois anos, hoje a Embraer fabrica dez aeronaves, o que elevou a produtividade de US$ 40 mil (quando era estatal) para US$ 200 mil (este ano).
"Esse número poderá chegar a US$ 300 mil", avaliou Botelho, que aproveitou para alfinetar a concorrente canadense Bombardier. "A produtividade da nossa concorrente está em torno de US$ 168 mil."
Para fazer a avaliação do crescimento dos negócios, o presidente da Embraer leva em consideração o sucesso alcançado na última Feira Le Bourget, em Paris, onde a companhia conseguiu acumular contratos de US$ 18 bilhões - US$ 7,5 bilhões já fechados e US$ 10,5 bilhões em opções.
Com uma família ampla de aviões, que podem carregar de 37 a 108 passageiros, a Embraer obteve encomendas de 1.192 unidades. "Vamos conseguir exportações de US$ 5 bilhões", disse Botelho.
Para o empresário, tão importante quanto o volume de produção é o aumento do número de empregos que os novos pedidos vão permitir. Para quem no passado chegou a perder funcionários qualificados para a concorrente Bombardier, o fato de poder garantir 3,5 mil novos empregos não deixa de ser uma façanha dentro da economia brasileira. E, principalmente, competindo com as montadoras na conquista do prêmio de Melhores e Maiores.


