São Paulo, 7 - A briga entre a Embraer e a canadense Bombardier, que se transformou em uma das maiores disputas comerciais da curta história da Organização Mundial do Comércio (OMC) nos dois últimos anos, parece não ter fim e entrou, mais uma vez, no fase da "guerra" das declarações. Em matéria publicada neste final de semana, o jornal canadense "Financial Post" diz, citando como fonte um diplomata brasileiro não foi identificado, "que o Brasil assumiria o risco de perder US$ 10 bilhões de dólares em retaliações comerciais, mas não aceitaria devolver o dinheiro usado nos subsídios à Embraer".
Indagado sobre essa notícia na imprensa canadense, uma alta fonte da representação do Brasil em Genebra disse à Agência Estado que a afirmação é absurda. "É como se estivéssemos admitindo a derrota, o que não é o caso, já que estamos em meio de um panel (comitê de arbitragem), onde apresentamos todos os argumentos necessários e sólidos para contestar as acusações canadenses", informou o diplomata brasileiro, por telefone de Genebra.
A decisão dos dois comitês que estão analisando a suposta falta de cumprimento das decisões da OMC no ano passado por parte das duas empresas deve sair no início de março. Entre sexta-feira e domingo da semana passada, os governos do Canadá e do Brasil concluíram suas defesas. Agora, os comitês de arbitragem entraram na fase dos questionamentos. "As deliberações dos panels devem demorar cerca de três semanas, até a decisão", explicou a fonte.
O Brasil e o Canadá alegam que mudaram seus programas de subsídios, mas nenhum dos dois governos acredita no outro, razão pela qual recorreram, mais uma vez, à OMC. O Canadá insiste que a decisão da OMC no ano passado é retroativa e que a Embraer não poderia continuar a financiar a exportação de seus jatos regionais o Proex (Programa de Financiamento às Exportações), o que teria provocado prejuízos de bilhões de dólares à Bombardier.
Indagado sobre uma eventual derrota do Brasil na OMC e sobre uma possível apelação, o diplomata respondeu à AE: "Não há precedentes históricos de uma nova apelação, mas nada impede que ela venha a ser feita, seguindo as regras do Acordo de Solução de Controvérsias", disse essa fonte. Enquanto a disputa comercial se acirra na sede da OMC em Genebra, os dois governos tentam resolver o problema em conversas diplomáticas. O embaixador Valdemar Carneiro Leão, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, disse, no entanto, que a negociação bilateral caminha a passos não muito acelerados.

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