Embraer deve vender até 9% do capital total e faz negócio de US$ 140 mi
Paris, 30 (AE) - O presidente da Embraer, Maurício Botelho, anunciou hoje, em Paris, onde a companhia participa da reunião anual da aviação européia, que a empresa está disposta a vender até 9% de seu capital total para o futuro sócio estratégico, com o qual pretende fazer uma aliança, e transferir até 20% do capital votante. "Buscamos um sócio que assuma, como máximo, 20% dos direitos a voto e 9% do capital total", disse Botelho em entrevista à imprensa especializada.
O diretor de Assuntos Corporativos da Embraer, Gilberto Galan, informou que a empresa fechou um negócio de US$ 140 milhões com duas companhias regionais européias de aviação. Ele disse que foi fechada a venda de três jatos ERJ-135, de 37 lugares, para a suéca City Airlines, por US$ 60 milhões, e outros quatros jatos ERJ-145, de 50 lugares, para a alemã Cirrus
por US$ 80 milhões. O pacote dos sete aviões deve ser entregue até o final do primeiro trimestre do próximo ano.
Botelho aproveitou o evento para anunciar o lançamento do novo jato regional da Embraer, o ERJ-140, de 44 lugares. Embora ainda sem clientes interessados, o presidente da companhia informou que a empresa está negociando a venda desses aviões com a American Eagle, subsidíaria regional da American Airlines, que pode encomendar algumas unidades.
"Com esse avião, estaremos completando todo o ciclo para atender o mercado", disse Galan. De acordo com ele, os clientes não terão mais motivos para não comprar produtos da Embraer. A companhia aeroespacial de São José dos Campos está investindo US$ 45 milhões para desenvolver esse jato, que vai ao mercado no ano 2001. Parte desses recursos serão próprios e outra parte virá de parceiros de risco (além de fornecedores, também aplicam recursos finaceiros), entre eles a espanhola Ganesa, a belga Sonaca, a norte-americana C&D e a chilena Enaer.
O potencial de mercado para esse tipo de jato de 44 lugares, de acordo com Galan, é de 750 unidades nos próximos 10 anos. Isso siginifica negócios de pelo menos US$ 11,5 bilhões. "Trata-se de um nicho específico, mas muito importante, já que nem a Bombardier e nem a Fairchild/Dornier têm aviões nesse segmento", afirmou. O jato custará US$ 15,2 milhões.
Galan confirmou ainda que a empresa está mantendo conversações com várias companhias com alto potencial de se transformarem nas futuras aliadas da Embraer. Porém, acrescentou o executivo, "o processo para definir o sócio estratégico será longo". Entre as empresas estão as francesas Aerospatiale Matra
Snecma, Thomson-CSG e Dessault Aviation. Botelho citou outros grupos, como a British Aerospace e o suéco Saab.
De acordo com o executivo, as negociações da aliança estratégica devem durar entre seis meses e um ano. A Embraer não deve associar-se apenas a uma dessas companhias, mas a um consórcio formado por vários grupos, principalmente europeus. Botelho acresentou que o objetivo da Embraer, um das principais fabricantes de jatos regionais do mundo, é aproveitar a aliança para desenvolver suas atividade na área de defefesa.





