S.José dos Campos (SP), 23 (AE) - A Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) deverá anunciar na segunda-feira (25) seu aliado estratégico, num evento pela manhã no Hotel Renaissance, em São Paulo. Apesar da empresa não confirmar, há fortes indicativos de que um consórcio franco-britânico-suíço (Dassault e Aeroespaciale, British Aerospace e Saab) foi o escolhido, por apresentar melhor proposta para as pretensões futuras da ex-estatal brasileira - que inclui um caça supersônico, abertura de novos mercados e jatos regionais maiores. Também será anunciado o início dos estudos para ingressar no mercado asiático.
A Embraer pretende fazer um alto investimento para conquistar o último grande nicho comercial ainda inexplorado, a China. O presidente da companhia, Maurício Botelho, admitiu que a aliança estratégica pretendida pela Embraer será fundamental na expansão das fronteiras comerciais.
A conquista deste novo mercado começará pela China, tida como o maior cliente potencial dos aviões brasileiros e com grandes possibilidades de expandir suas rotas de aviação regional nos próximos anos. "Estamos determinados a construir uma presença forte na ásia", comentou Botelho.
A ação sobre o mercado chinês passará por uma avaliação geral, que determinará os custos do investimento e as atividades a serem desenvolvidas na ásia. Essa operação será decidida em curto prazo, ainda no primeiro semestre do próximo ano.
Botelho afirmou que existe a possibilidade de se criar entre três a cinco anos uma estrutura de atendimento na China, com uma grande lojística de suporte. Um dos motivos disto é a pequena experiência dos chineses em linhas aéreas regionais e as possíveis dificuldades que serão encontradas. "A China por si só é um continente", afirmou.
Parceria - A parceria estratégica vem sendo pretendida deste a privatização da companhia e várias empresas e grupos foram contatados desde 1997. Entre elas as prováveis vencedoras, as francesas Dassault e Aeroespaciale, a British Aerospace e a suíça Saab. Há quase um mês essas empresas já vinham se apresentam como sócias da Embraer dentro do mercado internacional de jatos regionais.
Botelho afastou a possibilidade da companhia ser vendida para algum grande grupo aeronáutico internacional e, com isso, perder sua autonomia, principalmente na área de projetos, e transformar-se numa simples montadora de aviões.
O presidente da Embraer revelou que o sócio estratégico terá no máximo 20% do capital ordinário da companhia, com direito a voto, que representará cerca de 9% do capital total da empresa. Porém, ficará sem participação no grupo de controle, que continuará sendo exercido pelos fundos de pensão Sistel e Previ e pelo banco Bozano,Simonsen.
A transferência do controle acionário da Embraer está totalmente descartada, até mesmo no futuro. "Não há qualquer ameaça ao controle da empresa ", reforçou.
O dirigente também disse que o governo brasileiro tem acompanhado o desenrolar das negociações com grande interesse, já que a Embraer é considerada estratégica. O mesmo vem sendo feito pelo Comando da Aeronáutica, detentor da Golden Share que lhe confere direito a interferir nos rumos da empresa.
Botelho afirmou que a empresa tem uma ótima saúde financeira, econômica e tecnológica e é forte o suficiente para não se deixar ser dominada por uma associação. "Não há prazo para se constituir essa parceria estratégica, mas ela é o caminho para a perpetuação da empresa", assegurou.
A direção da empresa informou que o anúncio da aliança seria feito depois de estar totalmente definido o nível de parceria, as funções, compromissos futuros e as atividades, inclusive o estabelecimento de funções e de compromissos.
OMC - Os problemas enfrentados na Organização Mundial do Comércio (OMC) com a empresa canadense Bombardier, segundo o diretor, sequer abalaram o interesse dos potenciais parceiros ou causou algum tipo de transtorno maior. A inclusão da Kawasaki , do Japão entre os parceiros de risco dos jatos ERJ-170 e 190 foi dirigida para facilitar o ingresso na China e criar uma proximidade comercial com os Países orientais, onde a marca tem uma grande aceitação.

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