Embraer anuncia este mês parceiros de risco para fabricação de jato
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 01 (AE) - A direção da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) anuncia até o final deste mês os novos fornecedores e parceiros de risco na fabricação do jato ERJ-170. Já fazem parte do projeto as companhias norte-americanas Honeywell, que fornecerá os sistemas aviônicos, e a General Eletric, que produzirá os motores.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, existe ainda a possibilidade de se apresentar o consórcio francês Dassault - Aeroespatiale como o novo parceiro estratégico da Embraer. A empresa não confirma essa informação e desmente qualquer acerto neste sentido.
A Embraer tem procurado por uma aliança estratégica para desenvolver novos produtos no segmento militar e civil, como um caça supersônico e uma linha de jatos executivos. Essa associação também deverá possibilitar a entrada no mercado asiático e o aumento de sua participação na Europa. Além disto, ainda existe interesse em ingressar no cobiçado e crescente mercado aeroespacial.
As negociações estariam sendo polarizadas pelos consórcios Dassault-Aeroespatiale e pela composição britânico-suíça British Aerospace - Saab. A Embraer confirma os nomes das empresas citadas, mas destaca que trata-se apenas de conversas preliminares com parceiros potenciais. Nada, porém, foi definido até o momento. "São conversas numa base contínua, mas não significa que haja negociações", explica o diretor de assuntos corporativos da empresa, Gilberto Galan. Ele comenta que não há prazo para se firmar esse contrato.
O diretor sindical, Marco Antonio Ribeiro, disse que as chefias de fábrica tem comunicado os funcionários sobre a iminência da fusão empresarial. As primeiras evidências da proximidade da conclusão deste processo estariam na presença de engenheiros franceses, ligados a Dassault, nas linhas de montagem da Embraer. Ribeiro disse que essa tendência é vista com normalidade dentro da Embraer. "Só esperamos que essa parceria não afete os trabalhadores", afirma o sindicalista.
O Comando da Aeronáutica, detentor da Golden Share que lhe garante voto no conselho administrativo da Embraer, colocou como condição básica para essa parceria a transferência de tecnologia de um caça supersônico. A frota aeronáutica militar brasileira é defasada e essa seria uma forma de equipá-la melhor
suprindo a deficiência de um melhor aparato de defesa e abrindo a possibilidade do Brasil se reposicionar no mercado bélico internacional com um produto de ponta.
Segundo a aeronáutica, o País teria que investir cerca de US$ 6 bilhões para se capacitar nesta área. O que torna inviável o projeto de se ter um caça genuinamente nacional. Porém, os dois consórcios que disputam a Embraer possuem tradição neste segmento aeronáutico.
Novamente a Dassault leva vantagem, pois fabrica o Mirage, um avião utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e de custo menor que o concorrente Gripen, produzido pela Saab. Ambos aparelhos já foram testados pelos pilotos da FAB. A Embraer ainda necessita de aproximadamente US$ 1 bilhão para desenvolver a família de jatos ERJ- 170 e 190, nas versões 100 e 200.
Uma das possibilidades da obtenção destes recursos é a abertura do capital da Embraer para os mercados estrangeiros. Os novos aviões também contariam com tecnologia agregada dos aliados estratégicos. Entre os novos modelos, o jato ERJ-170, para 70 passageiros, será desenvolvido no próximo ano e seu vôo inaugural está marcado para 2001. As encomendas começam a ser entregues em 2002.


