São Paulo, 21 (AE) - A Embraer enviou à Bovespa esclarecimentos sobre a operação de venda de 20% das ações ordinárias para o grupo de empresas francesas constituído pela Aerospatiale-Matra, a Dassault Aviation, a Thompson-CSF e a Snecma. A Embraer diz que estava em situação crítica quando foi privatizada ao final de 1994, com problemas industriais, tecnológicos, administrativos, trabalhistas, de comercialização e financeiros. "Na privatização, o edital permitia a participação de estrangeiros em até 40% das ações ordinárias vinculadas ao controle da companhia", diz o comunicado da empresa.
Segundo a Embraer, hoje seus problemas estão superados, devido aos "esforços da nova administração e dos acionistas controladores Bozano, Simonsen, Previ e Sistel, que investiram, para isso, cerca de US$ 520 milhões em aumento de capital". A companhia lembrou que, após dez anos de prejuízos sucessivos, vem apresentando lucro desde 1998 e sua carteira atual de aviões vendidos supera os US$ 16 bilhões de ordens firmes e opções (1.200 aviões a jato, entre as famílias de 37, 44 e 50 lugares e de 70, 98 e 108 lugares). Atualmente, a empresa tem 8 mil empregados e afirma que existe a expectativa e de se gerar outros 4 mil nos próximos cinco anos.
"A globalização da indústria aeronáutica estava exigindo uma cooperação mais estreita com outras indústrias do setor, que estivessem dispostas, como parceiras estratégicas, a disponibilizar para a Embraer novas tecnologias e novos produtos
bem como novos mercados", diz a empresa. De acordo com a Embraer, a decisão de buscar uma parceria estratégica vem de longa data. "Esta decisão também eram de conhecimento das autoridades brasileiras". Segundo a companhia, as negociações concluídas com as empresas francesas para transformá-las em parceiras estratégicas da Embraer estão consubstanciadas em documentos firmados em 23/7/99 e sucessivamente aditados atá 22/10/99, para atender a ponderações feitas pela Aeronáutica. "Todos esses documentos foram devidamente entregues às autoridades", assinala.
A Embraer também afirma, em comunicado à Bovespa, que a "Golden Share" detida pela União não lhe permite exercer poder de veto sobre operações de venda de ações não vinculadas ao controle da empresa. A companhia diz que a operação com os franceses envolve somente uma posição minoritária de 20% das ações ON (ou 10% do capital social), fora do acordo de controle da Embraer e "sem qualquer perspectiva de integrá-lo". "O controle acionário e, por consequência, o comando efetivo da Embraer continuam com seus atuais controladores: Bozano, Simonsen, Previ e Sistel".
A empresa afirma ainda que não há qualquer outro documento firmado, ou acerto feito, diverso daquele constante dos documentos já divulgados e dos demais entregues à Aeronáutica.

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