Moscou, 09 (AE-ANSA) - O Cáucaso, o lugar de trânsito entre o Ocidente cristão e o Oriente muçulmano e ponto de encontro entre as civilizações mediterrâneas e mesopotâmicas do Sul e do Norte russo, fui sempre uma região de embates mas também de fusões entre diferentes civilizações do mundo antigo.
Em todos os conflitos no decorrer dos séculos predomina a luta que travam cristãos e muçulmanos.
Foi no Cáucaso que se perpetrou a primeira limpeza étnica da história da Europa, em 1915-16, quando os turcos muçulmanos exterminaram 1,5 milhão de armênios cristãos ortodoxos e expulsaram quase 1 milhão para os países vizinhos.
Os conflito entre etnias nas montanhas do Cáucaso terminaram em 1917, com o nascimento do regime soviético e voltaram a irromper simultaneamente com a dissolução da Rússia, em 1991.
Desde então, foram travados numerosos conflitos no Cáucaso, dos quais os mais importantes tiveram como cenário Nagorno-Karabaj, Ossétia do Sul, Chechênia, Abekhasia e, por último, Daguestão.
Em Nagorno-Karabaj, um reduto armênio cristão encravado no Azeibarjão muçulmano, que aspira reunir-se com a mãe-pátria, foi travado um conflito sangrento entre 1988 e 1994, quando se chegou a uma trégua, provocou milhares de vítimas entre os azerbaijanos e armênios.
Em Ossétia do Sul, região autônoma de Geórgia em luta contra Tbilisi pela defesa da língua, cultura e uma maior autonomia, morreram centenas de pessoas e foi gerada uma verdadeira diáspora até que Moscou impôs uma trégua pela força.
A Chechênia, que originariamente fazia parte da Chechênia-Ingushétia, separou-se da Ingushétia em 1991, depois da decisão do brigadeiro aposentado da aeronáutica, Dzohokhar Duadaiev, de proclamar a independência da república autônoma.
Em 1994, as tropas russas cruzaram a fronteira para restaurar a ordem constitucional em Grozny, a capital chechena, dando início a uma guerra que durou dois anos e que deixou um saldo de 80 mil mortos e provocou um êxodo em massa da população.
Em Abekhasia, região autônoma da Geórgia, em 1993, a tentativa da minoria muçulmana de proclamar a independência foi subjugada pelas armas, conflito que terminou com milhares de mortos e refugiados e uma trégua "garantida" pelas tropas russas.
O último dos conflitos armados em ordem cronológica é o que está sendo travado no Daguestão, onde, em 7 de agosto, um coluna de guerrilheiros chechenos e de voluntários islâmicos procedentes de outras repúblicas cáucasas, invadiram a república e tomaram três aldeias, com a finalidade de declarar a independência da região. O exército russo interviu com artilharia e helicópteros e o conflito ainda está em curso.

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