Curitiba, 16 (AE) - Uma cena frequente no período da safra agrícola paranaense, que é a formação de filas às margens da BR-277, nas proximidades do Porto de Paranaguá, está ainda mais acentuada este ano, com média de 40 quilômetros de extensão. Os produtores querem aproveitar o preço e colocar a soja o mais rápido possível no mercado internacional, mas a chuva e a quebra de um dos equipamentos de carregamento dos navios tornam o serviço mais lento no porto. O nervosismo já fez com que os caminhoneiros bloqueassem a rodovia durante algumas horas na terça-feira.
Com o preço cotado em dólar, a soja tem levado os produtores a procurar os sindicatos de caminhoneiros com insistência cada vez maior, requisitando o serviço dos transportadores. "O melhor momento é o quanto antes", diz o superintendente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Paraná, Eduardo José Alcântara. Até agora foram embarcados 1.216.641 toneladas de soja, volume 22,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando tinham sido carregados 993.743 toneladas.
De acordo com a assessora de comunicação da empresa Ecovia, que administra a BR-277, Maria Luiza Caldas, as filas têm aumento expressivo nas segundas-feiras. A empresa, em conjunto com a administração do porto e a Polícia Rodoviária Federal, planejou um esquema para melhorar o atendimento aos caminhoneiros, que chegam a ficar até 36 horas na espera de descarga, e dar mais fluidez ao tráfego.
Uma das medidas é fazer com que o tíquete de pagamento do pedágio, que é feito a cerca de 60 quilômetros do porto, valha também como comprovante para o recebimento da diária, que começa a ser contada uma hora e meia depois de passar pelo posto. À Polícia Rodoviária cabe coordenar a formação da fila, evitando que caminhoneiros passem à frente dos que já estão parados. Os patrulheiros também fazem a fiscalização da carga, liberando quem está levando produto diferente da soja, sem criar conflitos.
Segundo a administração do Porto de Paranaguá, os armazéns já estão lotados, não sendo possível atender todos os cerca de 1,5 mil caminhões que chegam diariamente ao litoral. O carregamento da soja com chuva é um risco que os responsáveis pelos navios preferem não correr. Molhados, os grãos deterioram-se rapidamente. E, nos últimos 15 dias, 12 foram de chuva em Paranaguá.
Além disso, o poder de embarque do porto está diminuído em cerca de 20% desde o início da semana, quando um curto-circuito inutilizou um dos equipamentos. Apenas quatro estão em funcionamento. Prevê-se que, nos próximos dias, o equipamento que queimou e outro que foi importado da China entrem em operação, tornando mais ágil o embarque.

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