A Marinha do Brasil concluiu em junho o relatório de investigação sobre o naufrágio da embarcação "Sueño Del Pantanal", de bandeira paraguaia, e aponta para o mau tempo e as condições do barco- hotel como fatores que provocaram a tragédia. De acordo com o documento, 27 pessoas estavam a bordo, sendo que 11 turistas brasileiros morreram no acidente, além de três tripulantes paraguaios, entre eles, Luis Penayo Meza, proprietário e comandante da embarcação.
Segundo os exames periciais, o convés principal do barco-hotel não era vedado para evitar a entrada da água, principalmente abaixo do nível do rio. Além disso, a embarcação não possuía válvulas de retenção e de fechamento na saída dos tubos de descargas. "O convés principal é composto de madeira, estava em mau estado e não possuía soleiras nas aberturas que dão acesso ao convés inferior", aponta o laudo. "No interior do casco não havia qualquer anteparo estanque para limitar alagamentos ou carga seca/ lastro sólido para aumentar a estabilidade", acrescenta a Marinha.
Além das condições da embarcação, o capitão-tenente Alexandre Brandão, responsável pela investigação, afirma que os ventos atingiram 93 km/h e as ondas chegaram a até 1,6 metros no Rio Paraguai. "Outro fator foi quando o comandante teve a oportunidade de abarrancar e, mesmo percebendo o mau tempo, resolveu prosseguir a navegação", informou.
No relatório, a Marinha também faz recomendações de segurança para evitar novos naufrágios na divisa entre o Brasil e o Paraguai. "Houve um reforço nas chamadas pelo rádio para informar mudanças climáticas e para recomendar o abarrancamento das embarcações nas margens do rio durante as tempestades. Além disso, um simpósio será realizado em novembro após o período de pesca para instrução dos responsáveis pelas embarcações nos dois países", adiantou Brandão.

Vídeo

Uma câmera de vigilância da Marinha flagrou o momento em que a embarcação "Sueño Del Pantanal" é atingida pela forte tempestade no Rio Paraguai por volta das 17h56. Após três minutos, é possível ver o momento em que o barco-hotel começa a naufragar quando a chuva fica ainda mais intensa acompanhada pela ventania. Às 17h59, a embarcação desaparece das imagens por causa da tempestade que impede a visualização do rio com nitidez. Às 18h01, a chuva diminui e confirma o naufrágio da embarcação, que durou aproximadamente cinco minutos. (R.F)

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