São Paulo, 03 (AE) - Crescimento de 15% na produção, seguido por incremento entre 30% e 40% no faturamento e aumento de 10% nos postos de trabalho - ou 10 mil empregos sobre os atuais 100 mil. Essas são as contas que a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief) de plástico faz para 2000, em comparação com os resultados de 1999. "Começamos este ano bem mais firmes, porque sentimos que existe uma política cambial", avalia o presidente da Abief, Irsael Sverner.
Os números citados por Israel Sverner consideram levantamentos sobre a economia do segmento feitos desde há 25 anos. "É fato comprovado que o consumo de embalagens cresce três vezes mais do que o PIB ascendente", frisa ele, acreditando que o Produto Interno Bruto (PIB), este ano, crescerá 4,5%. No caso das embalagens o incremento proporcional ao PIB se dá em volume de produção e não em faturamento que, como registra Sverner, é ainda maior.
O aumento da produção de embalagens de 1,5 milhão de toneladas (t) em 1999 (ocupação de 75% da capacidade instalada) para 1,7 milhão t em 2000 (85% da capacidade) informa que esse segmento transformador consumirá a produção de uma unidade industrial de resinas de porte médio a mais, durante este ano. E a indústria de segunda geração (resinas) vai suportar a demanda, pois tem de 400 mil t a 500 mil t de oferta excedente, calcula Israel Sverner. Essa sobra de matérias-primas deve-se às recentes ampliações da centrais petroquímicas de Capuava (SP) e principalmente a realizada em Triunfo (RS), que quase duplicou a produção de 600 mil t/ano de eteno.
A produção de embalagens plásticas para alimentos, higiene doméstica e pessoal, entre outras, é responsável pelo consumo de 60% da capacidade instalada petroquímica nacional, estimada em 4,5 milhões t/ano.
No ano passado, o segmento faturou R$ 5 bilhões. Para este ano, a previsão é de que o faturamento aumente de 30% a 40%
devido aos seguintes fatores: maior sofisticação das embalagens; mudança da política cambial e o acerto do preço das resinas no mercado interno, de acordo com a cotação no exterior - fato que se realizará bem antes de julho, data-limite imposta pelo governo, acredita o setor de plásticos.
Dos acréscimos nos preços das resinas termoplásticas para embalagens, que evoluíram de 80% a 100%, no ano passado, o segmento transformador conseguiu repassar metade. Ficam os outros 50% para este ano somados a um reajuste médio de 45%, previsto para os próximos 12 meses. Mesmo assim, o aumento não será muito sentido, avalia Sverner, porque há outros custos que pesaram muito em 1999, como impostos e energia elétrica, que serão amenizados este ano, conforme promessa do próprio governo federal.