Embalagens enchem aterros e lixões
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quarta-feira, 13 de junho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
O Brasil produz entre 240 e 300 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, das quais 100 mil toneladas são de lixo domiciliar, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses resíduos domésticos, entre 60% e 65% são restos alimentares e 25% a 30% são resíduos de embalagens. Essa montanha de sacos, caixas, garrafas, latas, entre outros, enche aterros e lixões, suja a ruas e rios e provoca maior consumo de energia no País.
Reduzir o impacto ambiental das embalagens é uma preocupação da indústria, mas o setor tende a seguir a demanda do consumidor, que tem o poder de escolha entre o que é mais ou menos poluente. Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), Sérgio Haberfeld, não existe embalagem melhor para o meio ambiente, pois só o fato de existir já é ruim. O que acontece é que algumas têm sido mais ou menos recicladas, diz.
Haberfeld reconhece, porém, que alguns países europeus já estão preocupados com a questão do acúmulo de lixo, como a Alemanha, onde existe uma tendência de diminuir ao máximo o volume de lixo por indivíduo. Com isso, uma das alternativas adotadas tem sido diminuir a sobre-embalagem dos produtos. Um exemplo são as pastas de dentes em embalagens plásticas que ficam em pé e dispensam a caixa de papelão.
Nos Estados Unidos, ao contrário, a preocupação é com a segurança e limpeza do produto, o que induz à maior proteção. Essa tendência individualista tem sido mais seguida no Brasil, pois nosso público é mais ligado aos Estados Unidos, avalia o presidente da ABRE.
Entre os materiais, no entanto, Haberfeld acha que a escolha é relativa. A tendência na Alemanha, por exemplo, tem sido pela embalagem que consome menos energia, da produção ao descarte final. Nesse sentido, cada caso é um caso. Por exemplo, o vidro é reciclável, mas é preciso ir buscar de caminhão, que consome energia. Além disso, retirar a proteção de embalagens é viável num país pequeno, como a Alemanha, mas não no Brasil, onde a distribuição é mais complicada e pode gerar perdas, que também representam mais lixo.
Para a bióloga Cristina Bonfiglioli, do Greenpeace, embalagens ambientalmente corretas são as não tóxicas e que possam ser mais recicladas, como papel e vidro. No entanto, o ideal seria reverter a moda de embalagens descartáveis e dar preferência para as retornáveis, acredita.
Bonfiglioli acredita que as piores embalagens são as plásticas, porque vêm do petróleo e colaboram para o efeito estufa. Já o alumínio gasta muita energia na produção e só tem um alto índice de reciclagem no Brasil porque há muita gente fora do mercado de trabalho, que vive de recolher latinha.
Para a bióloga, a idéia de reciclagem, embora positiva, pode levar ao estímulo de coisas descartáveis. No Brasil, mesmo que o consumidor separe seu lixo, não há garantia de que tudo será reciclado, pois não temos indústria para reciclar todo tipo de material. Além disso, não temos tecnologia para reciclar muitos tipos de plástico.


