Campinas, 22 (AE) - O Brasil ainda perde cerca de 35% dos tomates e pimentões colhidos por problemas de embalagem e condições de estocagem. A simples troca das tradicionais caixas de madeira por embalagens especialmente desenhadas para estes dois produtos pode reduzir a perda em 20%. Por isso, desde janeiro de 1997, duas pesquisadoras da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa-Hortaliças (http://www.cnph.embrapa.br), e dois agrônomos da empresa de assistência técnica do Distrito Federal, Emater-DF, investem numa nova embalagem para transporte e exposição, lançada na terça-feira, dia 21 de setembro, em Brasília.
As velhas caixas K - assim chamadas porque foram desenhadas para conter 2 galões de querosene na Segunda Guerra Mundial - foram substituídas por uma embalagem de plástico. As vantagens são muitas: a nova caixa tem cantos arredondados e amassa muito menos os produtos. O plástico permite higienização. "Isso é muito importante para reduzir perdas, pois tanto o tomate como o pimentão são atacados por uma grande variedade de fungos e bactérias no pós-colheita", explica Rita de Fátima Luengo, da Embrapa-Hortaliças. "Basta um restinho de tomate podre permanecer na caixa de madeira para transmitir os patógenos para a nova carga de tomates".
A nova embalagem também poderia diminuir as transferências do produto, de caixa para caixa, desde que sai do campo até o consumidor final. As embalagens são então menores do que as caixas tradicionais. Enquanto a caixa K acomoda 21 quilos de tomates e 10 de pimentões, em média, a nova embalagem corresponderia a 13kg de tomates e 6,5 de pimentões.
Rita Luengo explica, ainda, que as novas embalagens são peletizáveis, isto é, acomodam-se aos palets de empilhadeiras, utilizados para movimentação mecânica da carga. Isso atende a uma tendência de mercado, de crescimento da participação dos supermercados na distribuição de hortaliças. Os supermercados antes distribuíam menos de 5% das hortaliças vendidas no País e hoje já alcançam 15 ou 16%. Os maiores distribuidores ainda são os atacadistas das centrais de abastecimento, com 60% do total comercializado. Supermercados, atacadistas e varejões seriam os compradores potenciais da nova embalagem.
Seu custo inicial é superior: cerca de 5 reais por embalagem plástica, enquanto a de madeira custa de 1 a 1,5 real. Mas a durabilidade é muito maior: uma caixa K faz aproximadamente oito viagens, ou seja, dura cerca de 2 meses, enquanto a nova embalagem tem durabilidade estimada em 5 anos. Uma empresa - a Citroplásticos Ltda - de Itupeva, interior de São Paulo, participou da fase final de pesquisa, produzindo protótipos da caixa e agora já está comercializando a nova embalagem.
A Embrapa-Hortaliças investiu também em um nome para a nova embalagem, através de um concurso realizado nas cinco maiores centrais de abastecimento do País. A melhor sugestão de cada central ganhou mil reais e o vencedor geral, mais 2 mil reais.Mais informações pelo telefone (61) 3859038 ou pelo endereço eletrônico [email protected].

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